Política de saúde para pessoas com deficiência é deficitária em Cabo Verde – conferencistas

Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) – A política de saúde para as pessoas com deficiência é deficitária e com muitas lacunas a ponto do público alvo não saber quais as directrizes para a promoção da qualidade de vida e assistência à saúde em Cabo Verde.

A leitura é dos conferencistas Tomás Valdez e Artur Correia, quando falavam sobre o tema “Acesso Universal à Saúde” e “Políticas de saúde voltadas para a deficiência”, na I Conferência Internacional para a Inclusão em Cabo Verde, promovida pela Colmeia – Associação de Pais e Amigos de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais -, e que decorre na Cidade da Praia durante os próximos três dias.

Segundo Tomás Valdez, no país existe uma rede de serviço de saúde importante, mas que ainda peca no atendimento às pessoas com deficiência por falta de políticas públicas no sector visando a coordenação, implementação, acompanhamento, monitoramento e avaliação da política de saúde da pessoa com deficiência.

“Sem o engajamento político e uma política de saúde voltada para as pessoas com deficiência é impossível e não há um contexto favorável para construirmos espaços para a cobertura universal da saúde”, disse.

Conforme o médico e funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS), se houver progressão na cobertura, reduzindo a participação nos custos e taxa e em outros serviços, o país poderá alargar a cobertura universal da saúde.

Para o director Nacional da Saúde, Artur Correia, que dissecou sobre o tema “Políticas de saúde voltadas para a deficiência”, o sistema de saúde do país é baseado em solidariedade e a equidade um ponto fundamental tanto para o acesso como para tratamento.

“O grande objectivo é criar as condições para que as pessoas que tenham limitações em termos culturais, físicos e outros, tenham facilitados o seu acesso a cuidados de saúde. Não há uma poíitica específica, mas ela é global e discrimina positivamente as pessoas com dificuldades”, realçou.

Cabo Verde, segundo frisou, não escapa à regra quanto ao tema em debate, apesar de existir grandes declarações políticas a nível da Constituição, da política nacional e do plano de desenvolvimento sanitário.

Artur Correia, que admite não se tratar de algo que se consegue de um dia para outro, é de opinião que a implementação de todo o processo para beneficiar as pessoas com deficiência no sector de saúde vai ter o seu “dia”.

Neste âmbito, concorda com Tomás Valdez e defende a necessidade de se formar e reciclar as pessoas que estão na linha de frente para poderem dar o melhor tratamento possível às pessoas com deficiência.

No país, um estudo de avaliação das lacunas entre a assinatura da convecção sobre os direitos das pessoas com deficiência e sua implementação, realizado pela Handicap Internacional em colaboração com a Federação Oeste Africana de Pessoas com Deficiência, no quadro da implementação do projecto regional HIV- Deficiência, e apresentado à imprensa no mês de Setembro, recomendou a efectivação de políticas para melhorar o acesso aos serviços de saúde das pessoas com deficiência.

PC/CP

Inforpress/Fim

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