“Pobreza é o maior factor risco para violação dos direitos humanos” – responsável Amnistia Internacional (c/áudio)

Cidade da Praia, 23 Jan (Inforpress) – O director excutivo da Amnistia Internacional em Portugal considerou hoje a pobreza como “o maior factor risco” para violação dos direitos humanos e afirmou ter notado no arquipélago grupos vulneráveis que possam estar “expostos aos abusos” desses direitos.

Pedro Neto fez essas considerações quando convidado pelo jornalista, a margem da formação que dirige no Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC), a fazer uma avaliação sobre a situação dos Direitos Humanos em Cabo Verde, tendo na altura, no entanto, sublinhado não possuir dados para tal.

“Não vou fazer nenhuma avaliação sobre a situação dos direitos humanos em Cabo Verde por não possuir dados, mas tenho notado grupos vulneráveis como mulheres que são discriminadas e vítimas da violência, cuidadores dos deficientes e pessoas que vivem na emigração quer dos cabo-verdianos fora do país como dos que vem para Cabo Verde, que estão expostas aos abusos dos direitos humanos”, disse.

A questão da pobreza, segundo o a mesma fonte, faz com que existam “grupos vulneráveis” e “muito vulneráveis expostos” a abusos dos direitos humanos por viverem em situação da pobreza.

Face a esta constatação, Pedro Neto admitiu tratar-se de “uma questão transversal” que precisa ser trabalhado para que não aconteça.

Em relação à situação em Cabo Verde, admitiu que a visita de trabalho que está a efectuar tem como um dos objectivos perceber o estado dos direitos humanos no arquipélago, pelo que está a reunir com associações, Provedor de Justiça e outras entidades para perceber o “andamento do estado dos direitos humanos” no país.

“Estamos a tomar conhecimento, mas há muito trabalho que possamos fazer em conjunto, nomeadamente nas comunidades internacionais nas quais Cabo Verde e Portugal fazem parte, com especial relevância para a CPLP”, explicou.

Neste particular, referiu-se aos portugueses que estão a residir em Cabo Verde e aos cabo-verdianos em Portugal, para afirmar que “faz todo o sentido” que as instituições trabalhem em conjunto, visando endereçar os problemas e as questões que afectam as pessoas no campo dos direitos humanos.

Para Pedro Neto, os desafios que os direitos humanos, hoje, trazem a todo o mundo implicam que as organizações da sociedade civil que trabalham nesta área se unam para trabalhar em parceria para que cada vez mais “o mundo possa andar para frente” e fazer evoluir e os direitos humanos.

Questionado sobre a situação que se vive em Portugal, no bairro da Jamaica, com actos considerados pelos emigrantes lusófonos de racismos da polícia portuguesa, Pedro Neto considerou tratar-se de “um conjunto de actos isolados”.

Apesar disso, questionou sobre quantos actos isolados precisam acontecer para que não seja considerado de actos isolados.

“O que esta acontecendo é muito triste, aliás está neste momento a ser julgado um episódio de violência policial que aconteceu em Amadora, e agora no bairro de Jamaica há vários padrões e o que temos de ter em atenção e não cair no erro da discriminação e de generalização”, disse.

Para o responsável de Amnistia Internacional em Portugal são mais de vinte mil agentes da polícia a trabalhar, mas alguns estão a manchar o bom nome dos agentes da autoridade com comportamentos do uso excessivo da força perante pessoas migrantes que são os “mais frágeis”.

Por outro lado, considerou o acto de incendiar caixote de lixos e lançar coquetéis molotov a esquadras da polícia como “um erro”, pois, ajuntou, “a violência só gera violência”.

“Portugal não pode estar a deixar contagiar por discursos de ódio e discriminação e as organizações, particular a da PSP, não pode ser confundida por pessoas que possam ter comportamentos racistas e violentos”, concluiu, sublinhando, por outro lado, que havendo casos de tais comportamentos é preciso que se apure as responsabilidades.

PC/AA

Inforpress/Fim

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos