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PM garante que César do Paço vai ser exonerado do cargo de cônsul de Cabo Verde na Flórida

Praia, 13 Jan (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, garantiu hoje, em São Miguel, que o empresário português César do Paço vai ser exonerado do cargo de cônsul de Cabo Verde na Flórida, nos Estados Unidos, para o qual foi nomeado recentemente.

Ulisses Correia e Silva contrariou assim as declarações de Luís Filipe Tavares momentos antes da notícia da sua demissão, a seu pedido, do cargo de ministro de Negócios Estrangeiros e Comunidades.

Luís Filipe Tavares, que à margem da cerimónia de apresentação dos cumprimentos de ano novo ao Presidente da República, foi instado a pronunciar-se sobre a polémica à volta da nomeação do novo cônsul de Cabo Verde, tinha dito que César do Paço foi nomeado num processo “absolutamente normal” e afirmou que até ser provado o contrário, o mesmo continua a ser uma “pessoa de bem” para o executivo de Cabo Verde.

“Recordo que ele foi cônsul de Portugal nos EUA por muitos anos (2014-2020) e depois há um processo normal. Ele foi proposto pelo nosso embaixador na altura, esteve de visita a Cabo Verde em Março de 2020 e nós, depois pedimos a exequatur, que é a autorização às autoridades norte-americanas para a nomeação de cônsul”, explicou.

O governante adiantou que a partir do momento em que o Estado de Cabo Verde obteve essa autorização, não havia nenhuma razão para não o nomear.

“Para nós é uma pessoa de bem”, sustentou, afirmando que até que se prove o contrário, o mesmo manteria o cargo.

Na reportagem de investigação intitulada “A Grande ilusão: cifrões e outros demónios”, divulgada esta segunda-feira na SIC, César do Paço é apontado como principal financiador do Chega, partido da extrema-direita de Portugal.

As informações divulgadas apontam ainda que César do Paço foi acusado em 1991, em Portugal, de crime de roubo qualificado, tendo o Ministério Público decretado a sua prisão preventiva, seguindo de um mandado de captura. Contudo, não chegou a ser julgado porque fugiu.

Confrontando com esse caso, Luís Filipe Tavares disse desconhecer tais informações e indicou que na nomeação dos cônsules as autoridades cabo-verdianas não perguntam aos candidatos a que partido pertencem e nem investigam tais informações.

“Nós analisamos o currículo e submetemos a exequátur nos termos da lei dos procedimentos normais. Nós fizemos aquilo com toda a normalidade, na certeza de que era do interesse de Cabo Verde”, adiantou.

Tanto Luís Filipe Tavares como o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, negaram qualquer ligação do Governo de Cabo Verde ao Chega, partido de extrema-direita português, liderado por André Ventura.

César do Paço foi cônsul de Portugal em Palm Coast, na Flórida, de Outubro de 2014 a Maio de 2020, quando foi exonerado do cargo a seu pedido.

No início deste ano, foi nomeado pelo Governo de Cabo Verde para representar Cabo Verde na Flórida, EUA.

MJB/FM

Inforpress/fim

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