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PM diz que o Governo e o partido que o sustenta não têm nenhuma ligação ao Chega (c/áudio)

Calheta, São Miguel, 12 Jan (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, deixou hoje “bem claro” que nem o Governo e nem o partido que o sustenta – Movimento para a Democracia (MpD) – tem alguma ligação com o partido Chega, da extrema-direita em Portugal.

Ulisses Correia e Silva, que falava aos jornalistas na Calheta, São Miguel, após ter presidido ao acto da inauguração das obras de requalificação urbana e ambiental de Chã de Alecrim, reagiu assim, quando questionado sobre a demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Luís Filipe Tavares.

O Governo aceitou hoje o pedido de demissão dos cargos que Luís Felipe Tavares vinha desempenhando no Governo, por causa da polémica despoletada na imprensa portuguesa que aponta o empresário português César do Paço, nomeado para o cargo de cônsul honorário de Cabo Verde na Flórida, EUA, como um patrocinador do partido Chega, da extrema-direita.

“ [O pedido de demissão do ministro Luís Felipe Tavares] é uma decisão que devemos respeitar, mas uma coisa que quero deixar bem claro é que este Governo e o partido que o sustenta – MpD – não têm nenhuma ligação de afinidade, nem de simpatia com os partidos tipos Chega e nem com partidos da sua linha ideológica similar”, assegurou.

Para o chefe do Governo, a decisão do ministro demissionário visou “proteger” o executivo e a si mesmo dos “ataques”, que, conforme ele, a oposição estava ou está a preparar para fazer, visando “destruir a sua pessoa [Luís Felipe Tavares] e atingir o Governo”.

Ulisses Correia e Silva, que reiterou que respeita a decisão do até então ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, aproveitou para desejá-lo sucessos, afirmando que “há vida para além do Governo, da política, e daquilo que é a entrega da missão pública”.

Entretanto, manifestou a sua intenção em contar com Luís Filipe Tavares nas próximas missões e actividades.

Relativamente ao nome do novo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, o primeiro-ministro explicou que primeiro vai ser apresentado ao Presidente da República e depois fazer o anúncio.

Na ocasião, aproveitou ainda para anunciar que o empresário português César do Paço vai ser exonerado do cargo de cônsul de Cabo Verde na Flórida.

Na reportagem de investigação intitulada “A Grande ilusão: cifrões e outros demónios”, divulgada esta segunda-feira na SIC, César do Paço é apontado como principal financiador do Chega, partido da extrema-direita de Portugal.

As informações divulgadas apontam ainda que César do Paço foi acusado em 1991 em Portugal de crime de roubo qualificado, tendo o Ministério Público decretado a sua prisão preventiva, seguindo de um mandado de captura. Contudo, não chegou a ser julgado porque fugiu.

FM/JMV

Inforpress/Fim

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