PM diz que 13 de Janeiro é muito mais do que uma data em que se realizaram as primeiras eleições

Assomada, 13 Jan (Inforpress) – O primeiro-ministro afirmou hoje que o 13 de Janeiro é muito mais do que uma data em que se realizaram as primeiras eleições livres e partidárias, e defendeu uma democracia assente na liberdade e na dignidade da pessoa humana.

Ulisses Correia e Silva falava no acto público comemorativo do Dia da Liberdade e Democracia, que se comemora hoje, 13 de Janeiro, que decorreu sob o lema “30 Anos de Liberdade, Democracia e Desenvolvimento: Ganhos e Desafios”, que teve como palco a Praça Central de Assomada, Santa Catarina, que contou ainda com a intervenção da presidente da câmara, Jassira Monteiro.

“Há 30 anos, num dia como este, Cabo Verde realizou as primeiras eleições livres e partidárias, mas, 13 de Janeiro é muito mais do que uma data em que se realizaram as primeiras eleições. 13 de Janeiro é expressão de um amplo movimento popular criado no País e na diáspora que exigia ruptura com o regime do partido único para que os cidadãos dessas ilhas pudessem ter acesso à democracia, à liberdade, ao desenvolvimento, um sonho acalentado por várias gerações de cabo-verdianas e cabo-verdianos”, concretizou.

O também presidente do Movimento para a Democracia (MpD) considerou ainda o 13 de Janeiro como “expressão de valores da liberdade”, referindo-se à liberdade individual como garante primeira da dignidade da pessoa humana, à liberdade política, à liberdade económica e à igualdade de oportunidades.

Razão que leva o chefe do Governo a afirmar que a democracia cabo-verdiana é “resiliente e aberta ao mundo”, lembrando que a vasta diáspora permitiu posicionar Cabo Verde como um País com uma democracia prestigiada no mundo.

“Cabo Verde é o país mais livre de África, é a terceira melhor democracia em África, é o segundo país em África com melhor nível de governança”, lembrou o chefe do executivo.

“A estabilidade política e social, os baixos riscos reputacionais, e a confiança são activos fundamentais que caracterizam este País e que têm permitido um percurso notável no desenvolvimento, apesar das limitadas e das condições de limitações que temos a nível de recursos naturais”, assegurou.

Tudo isso, reforçou, “são frutos dos 30 anos de democracia e de liberdade que hoje comemoramos”.

Entretanto, alertou que actualmente existem ameaças às democracias liberarias e às suas instituições, ao estado de direito e aos valores da paz, do pluralismo, da tolerância, e da solidariedade, do desenvolvimento humano e integral.

Nesse sentido, defendeu que a democracia deve ser cuidada, protegida e aprimorada face ao surgimento de fenómenos políticos como extensão do nacional populismo de extrema-direita, mas também de emergência de um radicalismo de esquerda, que, segundo ele, instrumentaliza a pobreza e as desigualdades sociais.

“A democracia que defendemos assenta na liberdade, na dignidade da pessoa humana e na tolerância, na autonomia das pessoas, respeito pela diferença, e não discriminação em função da raça, do sexo, da religião e de preferências políticas, não se compadece com populismo, xenofilismo e extremismo. É na liberdade, e com a liberdade que devemos continuar a fazer crescer o nosso país, a nossa economia, que tem que ser cada vez mais inclusiva, justa e solidária”, defendeu.

Ulisses Correia e Silva lembrou que o País está a comemorar os 30 anos da democracia no contexto da crise sanitária, económico e social provocada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), e ainda que o arquipélago é um dos três países mais afectados pela covid-19 no continente africano e um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas.

Não obstante a situação da pandemia, assegurou que a democracia não foi confinada durante o estado de emergência e durante as restrições impostas pelo combate à covid-19, razão que o leva a afirmar que a democracia segue forte e pujante.

Por sua vez, a presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina considerou o 13 de Janeiro como uma data importante para Cabo Verde a par da independência nacional.

Jassira Monteiro, que é a única mulher a exercer o cargo de presidente de câmara no arquipélago, lembrou que o 13 de Janeiro de 1991 foi o início de um novo caminho para a realização e emancipação da mulher cabo-verdiana, tendo elevado para um novo patamar a sua participação na política.

Entretanto, sublinhou que ainda falta muito para se cumprir o 13 de Janeiro na sua plenitude.

Na ocasião, através de vídeos,  o antigo primeiro-ministro de Portugal e ex-presidente da União Europeia (UE),  Durão Barroso, do ex-presidente da UE Jean-Claude Juncker, presidente do Senegal, Macky Sall, presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitaram o país pelo dia e deixaram o seu testemunho.

O acto, que foi agraciado com desfile/parada militar, contou ainda com a presença do presidente da Assembleia Nacional, JorgeSantos, do antigo primeiro-ministro Carlos Veiga, deputados nacionais, eleitos municipais e presidentes das câmaras e assembleias municipais de Santiago, e vários outros políticos.

FM/JMV

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos