PM alerta para “efeitos gravosos” e com impactos económicos e sociais da guerra para Cabo Verde (c/áudio)

Cidade da Praia, 12 Jul (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, afirmou hoje que os efeitos da guerra são “muito mais gravosos” e com impactos económicos e sociais “muito fortes” para Cabo Verde do que a pandemia e a seca severa desde 2016.

“A exposição a estes fenómenos e momentos extraordinários tem sido muito forte para um país como Cabo Verde. Nenhum país do mundo está fora destes impactos, alguns conseguem acomodar com maior capacidade de resposta do que os outros, mas de uma forma geral tem sido algo extraordinário, excepcional, intenso e com impactos quer sanitário e económicos sociais muito fortes”, disse.

Ulisses Correia e Silva falava na abertura do “Fórum Nacional Emergência de uma Frente Comum para Enfrentar e Vencer as Crises”, que decorre no Palácio do Governo, na Praia, sob o lema “Juntos para agir, agora!”.

O primeiro-ministro realçou que o Governo tem estado a dar respostas face à seca, à covid-19 e agora busca parceiros para ajudar a mitigar e a consciencializar a população sobre o impacto da guerra.

Neste sentido, explicou que o Governo tem estado a dar respostas para fazer face aos efeitos da seca e dos maus anos agrícolas, iniciado em 2016, alegando que as mitigações feitas têm sido no sentido de proteger a actividade agrícola, a criação do gado, aumentar resiliência na produção e mobilização de água, e garantir que a actividade agrícola da vida rural se mantenha, independentemente, da situação da gravidade das secas.

“E investimos valores elevados para conseguirmos mitigar os problemas e impactos da pandemia da covid-19, com o impacto a nível sanitário”, salientou, assegurando que o Governo conseguiu dar “boa resposta” no combate de ponto de vista sanitário, apesar de ponto de vista económico e social o impacto ter sido “muito forte e ainda se sente”.

Segundo Ulisses Correia e Silva, após a pandemia, quando o País se preparava para a retoma económica e social, é confrontado com os impactos da guerra na Ucrânia que, apesar da distância, é visível e sentido a todos os níveis.

“A pressão inflacionista ajustada e combinada com a valorização do dólar em relação ao euro, a nossa moeda de pagamento da maior parte das transições, tem feito com que os preços internos sofram aumento de uma forma significativa”, frisou, sustentando que caso o Governo não tivesse introduzido medidas de estabilização de preços os valores estariam a disparar nas famílias e empresas.

Ainda segundo o chefe do executivo cabo-verdiano, a consequência da guerra tem levado a que vários outros produtos aumentem de preços e com impactos muito fortes, daí o Governo ter declarado situação de emergência social e económica.

A declaração da situação de emergência social e económica, segundo disse, cumpre os objectivos, de um lado, a necessidade de se ter a percepção clara da crise mundial visto que Cabo Verde faz parte do mundo, logo recebe os efeitos da crise.

“Ter essa consciência é muito importante, isso para acomodarmos o nosso nível de consumo. Em segundo lugar, essa consciencialização permite valorizar as metas, em terceiro mobilizar junto dos parceiros recursos para dar respostas de mitigação e de protecção, e é neste ponto, que entendemos que deveríamos criar uma grande frente comum de acção para podermos fazer esta sensibilização e aumentar os níveis de acção de solidariedade e dar as respostas necessárias”, ressaltou.

Isso porque, lembrou, no país existe uma tendência “muito forte” de que tudo que acontece é o Estado, o Governo quem deve assumir.

“A vida não é assim e as situações não são assim. É preciso que essa ideia colectiva de resposta de acção seja entendida e interiorizada, pois, só assim conseguimos ser eficientes e eficazes”, prosseguiu, alertando as pessoas a ganharem consciência de que os efeitos económicos e sociais desta crise podem ser muito mais gravosos que a covid-19.

Conforme o primeiro-ministro, ganhar consciência da situação é importante para que as pessoas possam acomodar comportamentos e atitudes, sem prejuízo do Governo assumir o seu compromisso de liderança, mas sem ser o único actor a assumir compromissos neste quadro.

“Todos juntos devemos fazer acções para explicar a situação e concentrarmos no essencial que necessitamos para dar resposta e podermos conseguir”, concluiu.

O “Fórum Nacional Emergência de uma Frente Comum para Enfrentar e Vencer as Crises”, visa criar uma dinâmica, articulada e sob os princípios da responsabilidade partilhada, de solidariedade, complementaridade e subsidiariedade, com os parceiros e actores públicos, privados, da sociedade civil e igrejas e confissões religiosas, que tenham como principal função e objecto social o desenvolvimento e a promoção da pessoa humana, famílias e comunidades.

No encontro participaram representantes das câmaras municipais, das igrejas e confissões religiosas, das ONG e organizações da sociedade civil, parceiros de desenvolvimento do país, Forças Armadas e forças de segurança, entre outros parceiros e individualidades.

PC/CP

Inforpress/Fim

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