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PGR angolano desafia filhos de ex-PR a apresentarem “provas” sobre perseguições

Luanda, 27 Dez (Inforpress) – O procurador-geral da República (PGR) angolano desafiou hoje os filhos do ex-Presidente José Eduardo dos Santos para apresentarem queixas, “com provas fundamentadas”, sobre alegadas perseguições e ameaças de que dizem ser alvo em Angola.

“Não, eles [os filhos do ex-Presidente angolano] é que têm que ser mais concretos e dizer qual o tipo de perseguição que existe. Não podemos abrir processos sob coisas muito abstractas”, afirmou Hélder Pitta Grós, em Luanda.

Em maio, Welwitschia ‘Tchizé’ dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, que em outubro perdeu o mandato de deputada na legislatura (2017-2022) devido a ausência prolongada nas reuniões plenárias, afirmou que estava “involuntariamente” fora do país devido à doença da filha e que há vários meses estaria a ser “intimidada” por dirigentes do MPLA.

À Lusa, ‘Tchizé’, antiga deputada do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder desde 1975), afirmou ter sido ameaçada de morte, no plenário, por um colega de partido, por não ter votado da forma que “ele entendia” e que lhe disseram “para ter cuidado porque podia ser envenenada”, uma situação que a afecta a si e à sua família.

Hoje, quando questionado se as denúncias apresentadas pelos filhos de José Eduardo dos Santos “são infundadas”, Hélder Pitta Grós considerou que as mesmas “não apresentam qualquer prova” para o devido acompanhamento.

“Como posso avaliar, se as denúncias são infundadas, se a pessoa que as apresenta, não apresenta qualquer prova e nenhuma ponta do iceberg para podermos trabalhar”, questionou o PGR à margem de cerimónia de posse de 70 novos subprocuradores-gerais da República.

No país ou fora, notou o responsável pelo Ministério Público, “o importante é fazer a denúncia e reunir ou contar as provas necessárias”.

O Bureau Político do MPLA aprovou em 29 de Novembro o afastamento de Welwitschia dos Santos de membro do comité central do partido no poder em Angola e a suspensão por dois anos da condição de militante.

As sanções propostas pela comissão de disciplina e auditoria foram aprovadas na quarta reunião ordinária do Bureau Político, orientada pelo líder do partido, João Lourenço.

O órgão de decisão do MPLA justifica a decisão tomada com o facto de a filha do ex-líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, ter violado os princípios básicos dos estatutos e código de ética partidária.

Inforpress/Lusa

Fim

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