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Perto de três mil pessoas envolvidas na produção da aguardente em Cabo Verde – IGAE

Porto Novo, 03 Dez (Inforpress) – Quase três mil pessoas estão envolvidas na produção da aguardente em Cabo Verde, facto demonstrativo de “tanta disponibilidade” do álcool no arquipélago, sobretudo nas ilhas onde se produz esse tipo de bebida, segundo a Inspecção-geral da Actividade Económica (IGAE).

Para a directora de Serviço, Inspecção e Controlo da IGAE, Sara Pereira, que esteve, esta segunda-feira, em Santo Antão, num colóquio sobre o alcoolismo, trata-se de “muita gente envolvida nesta questão da produção” da aguardente, que ultrapassa os quatro milhões de litros/ano.

Em seis meses (Janeiro a Junho), período destinado à produção da aguardente em Cabo Verde, produz-se 4,5 milhões de aguardente puro, facto que demonstra que existe “muita disponibilidade” desse tipo de bebida, resultando, segundo Sara Pereira, “num problema de saúde pública”, com “custos elevados” para as famílias e para as estruturas de saúde.

A responsável, que nesse colóquio fez uma comunicação sobre a fiscalização das bebidas alcoólicas na protecção da saúde, defende, por isso, a necessidade de se trabalhar a questão de qualidade da aguardente, evitando que se continue a introduzir no mercado um produto sem a comprovação sanitária.

Referindo-se ao alcoolismo como sendo “um grande problema social” em Cabo Verde, país produtor, além da aguardente, ainda de cervejas e vinhos, Sara Pereira explicou que a lei do álcool, em vigor desde Outubro, tem o propósito de restringir o consumo, com vista a “minimizar os estragos” que este fenómeno tem provocado na saúde das pessoas, sobretudo jovens.

Em termos de fiscalização, a directora de Serviço, Inspecção e Controlo da IGAE enalteceu “alguns ganhos” conseguidos entre 2018 e 2019, período em que se fez apreensão e destruição de produtos em fermentação sem os requisitos exigidos, além de bebidas sem a comprovação sanitária.

No caso de Santo Antão, onde o alcoolismo está entre “os maiores desafios” da região sanitária, com uma das maiores taxas de consumo do álcool em Cabo Verde (média de 17 litros/ano, por pessoa), as autoridades de saúde falam em “uso crónico do álcool no dia-a-dia e um padrão de consumo muito elevado”.

JM/ZS

Inforpress/Fim

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