Perto de 90 ONG denunciam “crimes contra a humanidade” na Birmânia

 

Nações Unidas, 29 Set (Inforpress) – Perto de 90 organizações não-governamentais (ONG) denunciaram hoje “crimes contra a humanidade” cometidos na Birmânia contra a minoria muçulmana rohingya, de acordo com um comunicado enviado pela ONG ‘Human Rights Watch’ (HRW).

“À medida que surgem novas provas, torna-se claro que as atrocidades cometidas pelas forças de segurança da Birmânia são crimes contra a humanidade”, afirmam 88 ONG.

As organizações pediram à Assembleia Geral da ONU que tome medidas em relação ao conflito na Birmânia, tendo solicitado ao Conselho de Segurança que considere a imposição de um embargo de armas e ainda de sanções para os responsáveis pelos crimes de abusos graves contra civis.

As ONG apelaram também a todos os Estados que “suspendam imediatamente a ajuda e cooperação militar” para com a Birmânia.

Além da HRW, também a Amnistia Internacional, a Rede de Direitos dos Refugiados da Ásia e Pacífico (APRRN) e a Rede de Direitos Humanos da Birmânia, bem como a Coligação pela Justiça e Responsabilidade (COJA), a Genocide Watch e a Campanha Internacional pelos rohingya fazem parte das 88 ONG que assinam o comunicado.

O Conselho de Segurança da ONU realizou, na quinta-feira, a primeira reunião pública sobre a Birmânia depois de meio milhão de rohingyas terem fugido para o Bangladesh desde o dia 25 de Agosto devido a uma operação militar do exército birmanês no Estado de Rahkine.

Num discurso proferido no Conselho de Segurança, Guterres exigiu que o Governo birmanês “garanta o regresso em segurança, voluntário, digno e duradouro” às suas regiões de origem dos refugiados que fugiram para o Bangladesh.

As Nações Unidas tinham já classificado o conflito na Birmânia como um caso de “limpeza étnica”.

A violência e a discriminação contra os rohingyas intensificaram-se nos últimos anos: tratados como estrangeiros na Birmânia, um país mais de 90% budista, são a maior comunidade apátrida do mundo.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).

Inforpress/Lusa

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos