Perla Negra: Falhas no processo de narcotráfico dita soltura de presos estrangeiros

 

Mindelo, 04 Mai (Inforpress) – Falhas no processo de narcotráfico “Perla Negra” ditou a soltura, nesta quarta-feira, dos três arguidos espanhóis, do cubano e do sueco, mantendo-se na Cadeia Central de São Vicente o cabo-verdiano Alexandre Borges, condenado a 15 anos de prisão.

O advogado dos espanhóis José Villalonga, Juan Fernandez Bustus e Carlos Ortega Aleman, do cubano Ariel Benitez e do sueco Patcrik Komarov, Feliz Cardoso, disse na manhã de hoje à Inforpress que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) já havia anulado o julgamento e reenviado o processo para o Ministério Público para repetição do acto.

Na origem desta decisão esteve a não audição dos arguidos na língua deles, espanhola e inglesa.

O advogado explicou que o prazo máximo de prisão preventiva é de 30 meses, que expira nesta sexta-feira, 05, tendo o juiz de instrução, que o é “da liberdade”, segundo Félix Cardoso, ordenado a soltura dos presos estrangeiros, vítimas de uma “monstruosa ilegalidade”.

Considerando que o juiz de instrução nunca “deixaria passar” o prazo, Félix Cardoso deslocou-se na quarta-feira da Cidade da Praia para São Vicente, onde assistiu à soltura dos seus constituintes, doravante a residir no Mindelo, sob Termo de Identidade e Residência e com obrigação de se apresentar semanalmente na Polícia Nacional.

Em relação a Alexandre Borges, mais conhecido no Mindelo como Xande Badiu, o advogado defende que ele deve ser “julgado de forma justa”, o que, pensa, não aconteceu, por não lhe terem permitido defender-se do recurso do Ministério Público (MP), o que “resulta da lei”.

Félix Cardoso é de opinião que a partir de 05 de Maio a prisão de Xande Badiu tornar-se-á “ilegal”, pelo que irá recorrer para o STJ.

O processo Perla Negra teve início em Novembro de 2014, quando a Polícia surpreendeu, em suposto flagrante delito, os seis homens a desembarcar 521 quilogramas de cocaína, dinheiro e armas de fogo pelos lados da Salamansa, tendo a justiça condenado os arguidos a vários anos de prisão pelos crimes de tráfico, associação criminosa e lavagem de capitais.

AT/ZS

Inforpress/Fim

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