PERFIL: Nenny, a “menina” que começou a cantar no quarto e que hoje é um fenómeno da música lusófona (c/vídeo)

***Por Geremias S. Furtado, da Agência Inforpress***

Cidade da Praia, 04 Jan (Inforpress) – Tem 20 anos, já chegou a ser comparada a Lauryn Hill e a Billie Eilish, mas prefere o estilo próprio da menina que aos seis anos de idade começou, simplesmente, a ouvir música e cantar no seu quarto.

Nenny, Marlene Tavares, que é descendente de cabo-verdianos mas nasceu e cresceu em Vialonga, uma freguesia portuguesa do município de Vila Franca de Xira, contou à Inforpress que com a sua descoberta, de querer cantar, de querer ser uma artista, teve de superar a vergonha de cantar em público quando, depois de lançar vários covers, em 2018, um grupo de rappers em Portugal, o Wet Bed Gang, lhe deu a oportunidade de ter uma carreira no mundo da música.

Entretanto, em Setembro de 2019, foi para o Luxemburgo com a mãe e tem regressado a Portugal apenas para fazer música, sendo “Sushi” o hit que a colocou nos holofotes, mas já lançou outros temas igualmente bem conhecidos do público, como “Bússola”.

O rápido crescimento enquanto artista levou-a a um dos palcos mais célebres do mundo digital, o alemão Colors Showm, onde apresentou as músicas “Tequila” e “Wave”.

“É uma cena que nunca vou ter noção, acho que as pessoas lá de fora é que conseguem sentir essa energia e dizem que gostam do meu trabalho, que a minha música as inspira. Fico satisfeita ao ouvi-las dizendo isso. Na realidade estou só a fazer o que eu gosto”, disse Nenny quando questionada se se considera um fenómeno internacional.

Em relação à fama, Nenny afirmou que é tudo uma questão de ver as coisas pelo lado positivo porque, segundo disse, a fama é como tudo na vida, com fases boas e más.

“Lidar com a fama é difícil sendo adolescente, sendo jovem, mas é uma coisa que aprendemos a lidar e basta te sentires bem contigo mesmo e saber para onde queres ir, não há nada que te possa parar”, completou.

Nenny que está neste momento em Cabo Verde, na cidade da Praia, onde irá actuar na gala dos 25 anos da RTP África, disse que também aproveita para vir ver a família e estar “um bocadinho” mais em conexão com a terra e que, inclusive, tem lhe surgido inspirações para algum trabalho que será conhecido brevemente.

“A minha relação com Cabo Verde é uma relação meio de pai e filha, eu chego cá e sinto que estou em casa. É uma sensação estranha, não nasci e nem cresci cá, mas sempre que chego a Cabo Verde sinto-me em casa. É a minha família que tenho aqui, é Cabo Verde, outra vibe, a energia é super boa, as pessoas são supersimpáticas, eu adoro estar cá”, frisou.

Nenny realçou ainda que desde pequenina sempre ouviu muita música cabo-verdiana, escutando artistas mais antigos como Cesária Évora, Ildo Lobo, Mayra Andrade e Jorge Neto, este último que homenageou em Setembro de 2022 com o single “Mar Azul”.

“São artistas que gosto muito e sempre tive aquela ligação com a música cabo-verdiana tendo esses artistas como referência. Mesmo os artistas cabo-verdianos que estão em Portugal, nós estamos sempre em contacto e a fazer com que a nossa arte se transmita para levarmos Cabo Verde ao mundo”, acrescentou.

Em Novembro do ano passado Nenny uniu o seu talento com a também artista e descendente de cabo-verdianos nascida em Portugal, Soraia Ramos, e lançaram o single intitulado “Trompete”, representando o “poder e força” da mulher africana de forma “inigualável”.

“Foi super bom porque a Soraia Ramos já era uma artista que eu ouvia, eu sempre fui fã dela e passar de fã para artista e estar ao lado dela a cantar acho que é uma bênção enorme. A vida dá voltas simplesmente, em 2015 eu estava no meu quarto a cantar músicas da Soraia e hoje tenho um feat com ela. É super gratificante”, comentou.

Nenny disse ainda que está neste momento a preparar o seu álbum, que, segundo informou, ainda não tem nome.

“Estou só a fazer sons e a experimentar coisas novas para depois lançar este ano”, disse a jovem artista, explicando que “o estilo da Nenny é o estilo Nenny”.

“Acho que não tenho um estilo específico, eu faço um pouco de tudo e acho que o meu estilo é o meu estilo, é a Nenny, simplesmente. Sou eu quem escrevo as minhas letras, as minhas melodias, basicamente me dão o bit eu vou para casa escrever… faço a minha vibe”, pontuou.

Pedida para deixar uma mensagem para outros jovens que possivelmente estão ainda a cantar no quarto, Nenny disse: “Nunca desistam, acreditem sempre em vocês mesmos, na vossa fé e na vossa liberdade de expressão. Saber quem realmente somos é que nos vai levar exactamente onde queremos ir, por isso sejam vocês mesmos, nunca parem, nunca desistam e continuem sempre a fazer aquilo que vocês gostam”.

GSF/HF

Inforpress/Fim

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