Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Perdas económicas resultantes de desastres naturais mais do que triplicaram em 20 anos – ONU

Lisboa, 10 Out (Inforpress) – As perdas económicas directamente relacionadas com desastres naturais mais que triplicaram nos últimos 20 anos, atingindo um valor global de 2.245 mil milhões de dólares (1.951 mil milhões de euros), avançou hoje um relatório das Nações Unidas.

O documento, apresentado em Genebra (Suíça) pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Desastres (UNISDR, na sigla em inglês) e ao qual a Lusa teve acesso, indica que nos últimos 20 anos, ou seja, no período 1998-2017, os prejuízos económicos directamente provocados por catástrofes naturais, como tempestades, sismos ou inundações, registaram “um aumento dramático” de 251%.

O relatório, lançado a poucos dias do Dia Internacional para a Redução de Catástrofes (assinalado a 13 de Outubro), salienta que as alterações climáticas “aumentam a frequência e a gravidade dos fenómenos meteorológicos extremos”, frisando que os prejuízos associados directamente com as catástrofes naturais são um entrave ao desenvolvimento dos países, especialmente para aqueles de baixo rendimento.

“A análise deste relatório deixa claro que as perdas económicas decorrentes de acontecimentos climatéricos extremos são insustentáveis e um grande travão na erradicação da pobreza em partes expostas ao perigo no mundo”, declarou a representante especial do secretário-geral da ONU para a redução de riscos de desastres, a japonesa Mami Mizutori, citada no documento.

No que diz respeito às vítimas provocadas pelos desastres naturais, o UNISDR recorda que, nos últimos 20 anos, 1,3 milhão de pessoas morreram e outras 4,4 mil milhões ficaram feridas, desalojadas, deslocadas ou precisaram de uma ajuda de emergência.

De acordo com as contas dos peritos do UNISDR, e no período em análise, os países atingidos por desastres [naturais e outros] verificaram um valor global de perdas económicas de 2.908 mil milhões de dólares (2.529 mil milhões de euros), incluindo 2.245 mil milhões de dólares (1.951 mil milhões de euros) em desastres directamente relacionados com o ambiente.

Este valor representa 77% do valor global dos prejuízos mundiais.

Estes números ganham ainda uma maior dimensão quando comparados com os 20 anos anteriores (1978-1997).

Nesse período, o total de perdas económicas relacionadas com desastres rondava os 1.313 mil milhões de dólares (1.141 mil milhões de euros), dos quais 895 mil milhões de dólares (778 mil milhões de euros) estavam directamente ligados a catástrofes naturais (68%).

Quando analisados caso a caso, o documento indica que as maiores perdas económicas foram sofridas nos últimos 20 anos pelos Estados Unidos (944,8 mil milhões de dólares, 821,7 mil milhões de euros), seguidos com alguma distância pela China (492,2 mil milhões de dólares, 428,1 mil milhões de euros) e pelo Japão (376,3 mil milhões de dólares, 327,3 mil milhões de euros).

Ainda no ‘top’ cinco dos países e territórios com mais perdas surgem a Índia (79,5 mil milhões de dólares, 69,1 mil milhões de euros) e o Porto Rico (71,7 mil milhões de dólares, 62,4 mil milhões de euros).

As tempestades, os sismos e as inundações verificadas nos últimos 20 anos também colocaram três países europeus nesta lista: Alemanha (com perdas de 57,9 mil milhões de dólares, 50,3 mil milhões de euros), Itália (56,6 mil milhões de dólares, 49,2 mil milhões de euros) e França (48,3 mil milhões de dólares, 42 mil milhões de euros).

A Tailândia e o México integram a lista dos 10 países e territórios com mais perdas económicas relacionadas com desastres naturais.

Em termos de ocorrências, as catástrofes directamente associadas com o ambiente representaram 91% dos 7.255 acontecimentos registados entre 1998 e 2017.

As inundações (43,4%) e as tempestades (28,2%) são as catástrofes naturais mais frequentes, de acordo com os mesmos dados.

Os 563 grandes sismos verificados nos últimos 20 anos, e os tsunamis que se seguiram, causaram mais de metade (56%) do total de vítimas mortais, o que representou 747.234 mortes.

O forte sismo de 7,5 na escala de Richter, seguido de um maremoto, que atingiu no final de Setembro passado a ilha indonésia de Celebes e que fez 2.010 mortos, segundo os dados mais recentes, não foi esquecido neste relatório.

“A morte e o sofrimento causados pelo sismo e o tsunami que ocorreram na Indonésia demonstram a necessidade de sensibilizar o público e aplicar normas de construção apropriadas a zonas sísmicas”, afirmou Mami Mizutori.

O relatório do UNISDR, intitulado na versão original “Economic Losses, Poverty and Disasters 1998-2017”, foi desenvolvido com o apoio do banco de dados do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica.

O documento do UNISDR é divulgado poucos dias depois das Nações Unidas terem exigido transformações “sem precedentes” para limitar o aquecimento global e de terem advertido que os efeitos para o planeta serão “muito menos catastróficos” se as metas estabelecidas forem alcançadas.

O relatório de especialistas em alterações climáticas, publicado na segunda-feira, alerta que o mundo terá de avançar com transformações rápidas nos sistemas de “energia, transportes, construção e indústria” para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius em média até finais do século.

Inforpress/Lusa

Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos