Pelo menos 50 migrantes “deliberadamente afogados” ao largo do Iémen – ONU

 

Joanesburgo, África do Sul, 09 Ago (Inforpress) – Pelo menos 50 migrantes da Somália e da Etiópia foram “deliberadamente afogados” por um traficante que os atirou ao mar ao largo do Iémen, indicou hoje a agência especializada da ONU, classificando o incidente como “chocante e desumano”.

Funcionários da Organização Internacional para as Migrações (OIM) encontraram as campas rasas de 29 dos migrantes numa praia de Shabwa durante uma patrulha de rotina, lê-se no comunicado da agência.

Os mortos foram enterrados pelos que sobreviveram.

Há ainda pelo menos 22 migrantes desaparecidos, segundo a OIM, que acrescentou que a média de idades dos passageiros era 16 anos.

A pouca distância marítima que separa o Corno de África do Iémen tem feito dessa uma rota de migração popular, apesar do conflito em curso no Iémen, tentando os migrantes dirigir-se depois para os países do Golfo.

O traficante que transportava os migrantes atirou mais de 120 ao mar hoje de manhã, quando se aproximavam da costa do Iémen, precisou a OIM no comunicado.

“Os sobreviventes disseram aos nossos colegas na praia que o traficante os empurrou para o mar quando viu agentes de ‘alguma autoridade’ perto da costa”, declarou Laurent de Boeck, o chefe de missão da OIM no Iémen.

“Eles disseram-nos também que o traficante já regressou à Somália para continuar o seu negócio e arranjar mais migrantes para trazer para o Iémen pela mesma rota”, acrescentou.

A equipa da OIM forneceu ajuda a 27 migrantes sobreviventes que ficaram na praia, enquanto outros partiram.

De Boeck descreveu como enorme o sofrimento dos migrantes naquela rota, especialmente durante a actual estação dos ventos no oceano Índico.

“Demasiados jovens pagam a traficantes com a falsa esperança de um futuro melhor”, comentou.

De acordo com a OIM, cerca de 55.000 migrantes abandonaram nações do Corno de África em direcção ao Iémen desde Janeiro deste ano, a maioria deles vindos da Somália e da Etiópia. Estima-se que um terço deles sejam mulheres.

Inforpress/Lusa

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