Património da Humanidade: Cidade Velha celebra XI aniversário da sua elevação num momento de “grandes investimentos” – IPC

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – A Cidade Velha comemora hoje o XI aniversário como Património Mundial, num “momento bom” e em que se regista um desenvolvimento e “grandes investimentos” em termos patrimoniais, segundo o director de Monumentos e Sítios.

Em declarações à Inforpress por ocasião da celebração do XI de elevação da Cidade Velha a Património da Humanidade, este técnico do Instituto do Património (IPC) disse que passado esses anos, foram feitas “muitas acções” para alavancar o desenvolvimento deste concelho, principalmente na área do desenvolvimento do património.

Contudo, frisou, ainda persistem muitos desafios e para os colmatar o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural actualizou o plano de gestão da Cidade Velha que já vinha de 2008 a 2012.

Com o novo plano, que está em execução desde 2019 e que tem um horizonte de quatro anos, foi definido um conjunto de estratégias e acções que visam alavancar, ainda mais, o desenvolvimento da Cidade Velha.

O IPC tem vindo a focar no eixo dois, que corresponde ao desenvolvimento urbano e que tem alavancado este sítio histórico, e no eixo um relacionado com a coesão social.

“A coesão social tem sido um desafio, por isso, vamos dar continuidade aos trabalhos que já vêm sendo feitos de coesão social. Vamos focar também nesse aspecto para alavancar ainda mais o que é desenvolvimento da Cidade”, assegurou.

Em relação à conservação dos monumentos patrimoniais, Jaylson Monteiro garantiu que estas encontram-se num “bom estado” e que o IPC tem procurado valorizar todo o património na Cidade Velha.

A mesma fonte fez referência às obras de requalificação da Igreja Nossa Senhora do Rosário, que será devolvida à população no dia 11 de Julho, a reabilitação urbana de todo o sítio histórico, a reabilitação das vias de acesso da Sé Catedral ao Forte de São Filipe, em parceria com a câmara municipal de Ribeira Grande de Santiago.

“Há um conjunto de projectos de reabilitação dentro da Cidade Velha que está a ser implementado e até ao final do ano Cidade Velha terá uma outra cara em termos urbanístico”, perspectivou.

Questionado sobre uma possível reconstrução da Sé Catedral e da antiga Igreja da Misericórdia, a mesma fonte, disse que apenas está prevista uma reabilitação com início ainda este ano.

Jaylson Monteiro reconheceu que ainda nem toda a comunidade tem-se apropriado do sítio, mas está convicto de que pouco a pouco vão conseguir engajar ainda mais a comunidade neste processo de sentido de pertença ao sítio histórico.

No princípio, recordou, os técnicos do IPC é que iam ter com as pessoas, mas hoje em dia a situação é inversa, isto é, a própria comunidade que busca estar “mais envolvida” nas acções desenvolvidas pela instituição.

Neste momento, adiantou, o IPC em parceria com a autarquia e o Ministério das Infra-estruturas estão a levar a cabo um projecto de uso de telha nas casas no sítio histórico para mudar a paisagem e algumas pessoas têm aderido a este projecto.

A única questão que ainda tem sido um “braço de ferro” entre a população e as autoridades são as construções clandestinas dentro do sítio, mas, conforme informou, estão a trabalhar progressivamente na sensibilização da comunidade.

Cidade Velha foi declarada Património da Humanidade a 26 de Junho de 2009 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O processo de candidatura, que foi aprovado por unanimidade, foi liderado pelos técnicos do Instituto do Património Cultural Carlos Carvalho e Charles Akibodé.

Segundo informações disponibilizadas no site do IPC, o sítio histórico da Cidade Velha foi classificado como Património da Humanidade pelos critérios II, III e VI.

O critério II prende-se aos monumentos e vestígios ainda existentes na Cidade Velha enquanto testemunhos do seu papel nas trocas comerciais. Critério III, pela sua paisagem urbana, marítima e pitoresca que remetem aos mais de três séculos de escravidão dos seres humanos.

Já o critério VI por ser o berço da primeira sociedade mestiça que se difunde pelo Atlântico através da gastronomia, farmacopeia, e outros saberes.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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