Participação do privado no processo de desenvolvimento permitirá ao Governo ter recursos para sectores da soberania – MpD

Cidade da Praia, 08 Jun (Inforpress) – O deputado Luís Carlos Silva afirmou hoje que o processo de desenvolvimento do país só será possível através de uma profícua parceria público-privada e que a participação do privado permitirá ao Governo ter recursos para investir nos sectores soberanos.

Luís Carlos Silva, deputado do Movimento para a Democracia (MpD-poder), falava durante a abertura do debate da primeira sessão deste mês, que, entre outros pontos, aborda a Agenda de Privatizações das Infraestruturas Económicas do País proposto pelo PAICV.

O deputado iniciou a sua intervenção frisando que a pandemia da covid-19 foi “uma tragédia enorme”, como tal impôs aos líderes um quadro de incertezas e a necessidade de adaptação a uma sequência de impensáveis e singulares eventos e que colocou em stress as democracias liberais.

“Este é o debate nacional de um tema internacional que está a fazer correr muita tinta pelo mundo fora, onde se tenta, de todas as formas, abrir o debate sobre os pilares da democracia liberal, neste caso particular, sobre a economia de base privada. Claro que não colhe se trazer à liça o carácter arquipelágico e insular de Cabo Verde como argumento para se viabilizar a narrativa contra a participação dos privados no processo de desenvolvimento de Cabo Verde”, declarou.

Acusou o PAICV de sempre se alinhar com a onda internacional de ataque ao liberalismo e às democracias liberais na vã tentativa de reanimar práticas ultrapassadas, antiquadas e que só produziram dependência, pobreza, violência e sobretudo atraso.

“De 2001 a 2016 Cabo Verde fez um percurso que, embora baseado num modelo de democracia liberal, implementado nos anos 90, se relacionava com grande desconfiança com o sector privado e tinha instintos centralizadores e estatizantes, que contrariam toda a prática liberal”, referiu.

Esta situação, segundo Luís Carlos Silva, levou à estagnação económica, endividamento, com particular ênfase na dívida do sector empresarial do Estado, alta no desemprego e no desespero dos jovens, bem como níveis nunca antes vistos de violência e criminalidade urbana.

Lembrou ainda que o Banco Mundial vai ainda mais longe e diz: “volto a citar, perante o constrangimento do sobre-endividamento, o Governo terá que promover um ambiente passível de maior participação do setor privado na economia”.

Considerou, neste sentido, que mesmo perante as restrições orçamentais do país, é imperativo que no processo de desenvolvimento seja possível garantir  a diversificação económica e o cumprimento de uma agenda de modernização das infra-estruturas económicas.

No seu entender, em ambos casos isso só será possível num quadro de uma profícua parceria público-privada, defendendo que o Governo deve intensificar a abertura e conectividade interna e externa do país, pela via aérea, como marítima, mas também pela via da tecnologia.

“A abertura à participação do privado no processo de desenvolvimento é ainda essencial para permitir ao Governo espaço, tempo e recurso para se focar nos sectores da soberania, na edificação de uma arquitectura institucional inclusiva, ágil e eficaz, para se posicionar como promotor, estimulador e regulador do mercado”, afiançou.

O deputado do MpD realçou ainda que só assim, o Governo estará em condições de melhor explorar as vantagens comparativas de Cabo Verde, aumentar a sua resiliência e abraçar a inovação para aumentar a produtividade, num quadro de igualdade de oportunidades.

CM/ZS

Inforpress/Fim.

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