Parlamento: UCID volta a chamar atenção ao Governo sobre a seca em Santo Antão em declaração política

Cidade da Praia, 01 Fev (Inforpress) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, posição) voltou hoje a chamar a atenção do Governo sobre a situação da seca em Santo Antão, em declaração política no parlamento, pedindo ajuda célere aos criadores e agricultores.

Segundo o presidente da UCID, António Monteiro, passados dois meses de terem alertado para a mesma situação ainda não conseguiram “vislumbrar atitudes concretas por parte do Governo para mitigar a situação”.

O deputado explicou que a falta de precipitação nos últimos anos tem condicionado de forma terrível as famílias que vivem das actividades agropecuárias. Por causa disso, adiantou, todo o Planalto Norte e Leste devem ser “considerados zonas de calamidade natural” já que se está no terceiro ano consecutivo sem chuva.

“A disponibilização imediata de mais água e ração aos criadores e agricultores é urgente. Não se pode aceitar que o gado seja vendido a menos de 60% do preço normal. Muito menos se aceita que haja animais a morrerem e a perderem crias, por deficiência de pasto e ração”, criticou o deputado.

António Monteiro também pediu reforço na distribuição de água para que ela chegue às localidades e a retoma de incentivos aos criadores “com a maior urgência possível”.

“O Governo nunca deveria ter suspendido o plano de mitigação, enquanto não tivesse a garantia que a estiagem tinha sido travada”, defendeu.

Em reacção, o deputado Damião Medina, do Movimento para a Democracia (MpD, poder), afirmou que a questão da seca está a tornar-se um assunto “apetitoso” pelo que afirmou não querer acreditar que tal situação esteja a ser usada para “tirar dividendos políticos”.

O parlamentar garantiu que Planalto Norte é uma comunidade com 600 pessoas, 5.290 cabeças de gado e que depende do transporte de água. Mas que o Governo e a câmara têm se esforçado para ajudar a superar as dificuldades dessa comunidade.

“O Governo e câmara têm feito todos os esforços para ajudar aquela comunidade, e, por mais que se queira poupar o PAICV, mas é culpa é do PAICV por não ter desenvolvido políticas de resiliência para aquela população, sobretudo, em matéria de mobilização de água”, lançou.

Do lado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), reagiu a deputada Vera Almeida, considerando que o eleito do MpD “é corajoso” por ter ido ao parlamento “mostrar que em Santo Antão os agricultores e os criadores então a viver num paraíso celestial”.

Segundo Vera Almeida, a coincidência do PAICV e da UCID em fazer declarações políticas com o mesmo tema deve chamar a atenção do Governo.

“É um facto, isto está a acontecer e nós temos vindo sistematicamente a colocar esta questão com muita seriedade, porque esta questão é grave e implica que seja tratada com muita seriedade também. Mas temos sentido uma tentativa de silenciamento, de apoucamento, das nossas questões que temos vindo a colocar”, afirmou.

Em representação do Governo, o ministro de Estado, dos Assuntos Parlamentares e Presidência do Conselho de Ministros e ministro do Desporto, Fernando Elísio Freire, disse que “há claramente exagero, uma dramatização excessiva” sobre este assunto, mas, reiterou, o Governo actuou em tempo e com resultados positivos.

“O Governo continua com acções concretas de emergência para fazer face à emergência do mau ano agrícola e está a tomar medidas estruturantes para mudar e aumentar a resiliência de Cabo Verde, tendo em conta as mudanças climáticas e a falta de chuva”, sustentou o governante.

CD/CP

Inforpress/Fim

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