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Parlamento: UCID realça em declaração política que é preocupante a situação dos doentes evacuados

Cidade da Praia, 15 Fev (Inforpress) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) considerou hoje no Parlamento “preocupante e revoltante” a situação dos doentes evacuados nos hospitais em Cabo Verde e em Portugal devido a falhas no seu acompanhamento, acolhimento e alojamento.

Segundo a deputada Dora Pires, por causa desses problemas, os doentes ficam condenados a viver em situação precária devido ao facto de monetariamente disporem de uma quantia que mal lhes dá para garantir o sustento, cobrir despesas com alimentação e hospedagem.

“É grave e desumano, um doente ser deixado num aeroporto ou porto de escala sem ninguém que lhe preste qualquer assistência ou lhe dê o necessário apoio, por exemplo para o ajudar a movimentar-se numa cadeira de rodas, deslocar-se aos lavabos, ou acompanhá-lo para poder dar satisfação a uma qualquer necessidade mais corriqueira”, protestou Dora Pires.

Mas segundo a deputada, em Cabo Verde também acontecem “factos incríveis, francamente inaceitáveis”, elucidando como exemplo, “um doente da ilha de São Nicolau que, ao ter de se deslocar para tratamento na em São Vicente, vê-se obrigado a rumar para o Hub Aéreo em Santiago para daí voar para o Aeroporto de São Pedro”, como “se fosse um turista”.

Conforme explicou, um doente que sai de São Nicolau para São Vicente demora mais tempo em relação àquele que em igual circunstância tenha saído de São Vicente com destino a Lisboa, Portugal.

Em Portugal, prossegui a deputada da UCID, apesar de existir um Centro de Apoio aos Evacuados de Cabo Verde, tutelado pelo Instituto Nacional da Previdência Social (INPS), dotado de alojamento, “poucos são aqueles que têm a sorte de conseguir ficar ali instalados em quartos individuais, adaptados para duas camas, transformados que são em cubículos onde mal se pode movimentar e ter alguma privacidade”.

Para além disso, Dora Pires chamou atenção sobre “a dispersão geográfica dos doentes” que ficam hospedados em pensões “pouco acolhedoras e alheias a princípios de salubridade e condições mínimas de alojamento”, enaltecendo as associações de solidariedade que “marcam presença com tamanha morabeza” e que apoiam os doentes cabo-verdianos quando “falham os meios e recursos cabo-verdianos”.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), através da deputada Filomena Vieira, apoiou a declaração política feita pela UCID. Para a deputada a situação a que São Vicente está relegado, devido à inexistência de políticas públicas para os transportes, é “absolutamente insustentável e vergonhosa e pouco dignificante para a ilha e para os mindelenses”.

Conforme a deputada do PAICV, concernente à situação dos doentes, para além do carácter humano, ético e moral” tem também “a vertente económica que é profundamente agressiva e degradante” para o doente e também para a família.

“Esta situação da evacuação dos doentes é absolutamente humilhante. Não é possível continuar a sustentar esta situação”, manifestou Filomena Vieira, acrescentando que “há um bloqueio económico à ilha de São Vicente pela inexistência de ligações aéreas.”

Segundo a parlamentar o que se exige do Governo é que defina políticas públicas para os transportes aéreos que cubram as necessidades do país, sejam necessidades economias, familiares ou para a união do território nacional.

“É inconcebível que a TAP faça seis voos semanais de e para São Vicente e vão absolutamente cheios e nós não conseguimos que a Cabo Verde Airlines entre nessa linha, porque se considera insustentável”, exemplificou, citando ainda voos realizadas por outras companhias da Europa.

Entretanto, ao usar da palavra o eleito do Movimento para a Democracia (MpD), Emanuel Barbosa, proclamou que a realidade descrita na declaração política da UCID corresponde ao tempo do Governo do PAICV.

Isto porque lembrou, antes os doentes recebiam apenas 20 dias das contribuições de que tinham direito e hoje recebem 30 dias. Acrescentou ainda que antes eram colocados em pensões “que não tinham a mínima dignidade com ratos e baratas” e hoje estão em apartamentos “com toda a dignidade”.

“A deputada falou do apoio das associações, mas hoje estão muitas associações envolvidas pela iniciativa da nossa Embaixada que estabeleceu vários protocolos com as associações no sentido de apoiar esses doentes e a dignidade que merecem”, defendeu.

Na mesma linha, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Fernando Elísio Freire, corroborou que a situação hoje é de longe melhor do que há dois anos, altura em que havia dificuldades na evacuação e lentidão nas respostas.

“As respostas hoje são mais rápidas, os serviços estão a organizar-se de forma a permitir que doentes chegam mais rapidamente ao seu destino e, naturalmente, nós ficamos relativamente satisfeitos, mas não totalmente porque sabemos também que ainda há dificuldades”, declarou o governante esclarecendo que hoje os deputados da UCID estão a falar de um tempo de espera de uma ilha para a outra, mas antes falava-se que não se deslocava. Portanto é um sinal de que a situação melhorou muito.

Para além da declaração política os deputados da Nação fizeram um voto de pesar e um minuto de silêncio às vítimas mortais e feridos decorrentes do furacão que atingiu recentemente vários bairros de Havana, deixando mortes, feridos e escombros por toda a capital de Cuba.

CD/FP

Inforpress/Fim

 

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