Parlamento sul-africano rejeita moção de censura contra Presidente Jacob Zuma com 198 votos contra 177

 

Joanesburgo, 08 Ago (Inforpress) – O Parlamento da África do Sul rejeitou hoje uma moção de censura apresentada contra o Presidente do país, Jacob Zuma, cujo partido voltou a protegê-lo de uma oposição que quer destituí-lo por alegados abusos de poder.

A proposta, que foi rejeitada por 198 votos contra, 177 a favor e nove abstenções, acusava o chefe de Estado de corrupção – tem 738 crimes pendentes na Justiça – e responsabiliza-o por uma crise económica que fez perder o emprego a dois milhões de pessoas no país, desde 2009, ano em que chegou ao poder.

Esta moção de censura, a sétima que Zuma enfrentou como Presidente, foi a primeira em que os deputados puderam pronunciar-se por voto secreto.

Por último, o Presidente sul-africano manter-se-á no cargo após um intenso debate classificado como “espetáculo político” e mesmo como “golpe de Estado” pelo partido governante, e no qual a oposição chamou a Zuma “criminoso” e o acusou de “violar a Constituição”.

Jacob Zuma, de 74 anos, tem pendentes na Justiça centenas de acusações de corrupção e, no ano passado, teve que devolver, por ordem do Tribunal Constitucional, meio milhão de euros de dinheiro público que terá gasto de forma irregular em obras de renovação da sua residência privada.

Esta segunda-feira a presidente do Parlamento sul-africano, Baleka Mbete anunciou em conferência de imprensa que tinha decidido que os deputados votassem esta moção de censura pela via de boletim secreto.

Segundo a imprensa, esta decisão constitui uma surpresa da parte da presidente do parlamento, até agora leal ao chefe de Estado, e fragiliza-o, numa altura em que é contestado até pelo seu próprio campo político.

A oposição exigia que o voto da moção fosse secreto, por estar convencida de poder “virar” alguns deputados do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder), se eles não estiverem sujeitos à pressão de um voto de mão erguida.

O Presidente Zuma está envolvido numa série de escândalos político-financeiros que tornaram públicas divisões dentro do ANC, que está agora preocupado com as consequências eleitorais desta atmosfera nefasta.

Caso a moção tivesse sido aprovada, o Presidente e o Governo deveriam demitir-se.

Para que a votação fosse vinculativa, deveria obter maioria absoluta, ou seja, os votos de 201 dos 400 deputados que o parlamento tem. O ANC tem uma confortável maioria de 249 assentos parlamentares.

O Tribunal Constitucional, chamado pela oposição a pronunciar-se, considerou a 22 de Junho que a presidente do parlamento dispunha dos poderes para ordenar uma moção de censura por voto secreto.

 

Desde então, a bola estava no campo de Baleka Mbete, que esperou pela véspera da votação para anunciar a sua decisão.

 

Inforpress/Lusa/fim

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos