Parlamento/Segurança: “A responsabilidade da insegurança e criminalidade que graça o país é primeira do Governo” – PAICV

Cidade da Praia, 11 Jan (Inforpress) – O PAICV (oposição) disse hoje que, sem prejuízo da quota parte das famílias e da sociedade, a responsabilidade pela situação de insegurança e criminalidade que graça o país é, primeira e fundamentalmente, do Governo de Cabo Verde.

Esta posição do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) foi manifestada pelo deputado Démis Lobo Almeida, no arranque do debate sobre a segurança com o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

“Depois de quase sete anos de um Governo de continuidade, que supostamente vem executando políticas para a segurança pública, sob a coordenação superior do mesmo primeiro-ministro, e a direcção do mesmo ministro da Administração Interna, é tempo de perguntarmos: Mas, afinal, onde estás segurança? Quais são os resultados das propaladas políticas de combate à criminalidade? Há mais segurança no país?”, questionou.

Apesar da “propaganda negacionista” do Governo, este parlamentar referiu que a “dura realidade” vivida e sentida pelo comum dos cabo-verdianos, responde “eloquentemente” àqueles questionamentos.

“No consulado do actual Governo de continuidade os níveis de insegurança e  criminalidade não só aumentaram, com picos cíclicos de ocorrências criminais, que o Governo não consegue travar, nem muito menos contrariar, como ainda,  passaram a conhecer estirpes de especialização de atitudes e práticas criminais hediondas que não estávamos habituados, e que, portanto, têm chocado, amedrontado e desassossegado a nossa sociedade, e criando uma generalizada percepção de insegurança e de vulnerabilidade diante da robustez do crime”, acrescentou.

Démis Lobo Almeida referiu ainda que “por omissão do Estado, através do Governo, que não garante a segurança aos seus cidadãos”, a criminalidade campeia, com um “notório aumento” dos crimes de roubo, assaltos à mão armada, vulgo ‘Kassubody’, furtos, agressões físicas e homicídios.

“A já aludida percepção geral de insegurança e a sensação de desprotecção do Estado são de tal sorte, que, na cidade da Praia, as pessoas evitam andar na rua a partir do pôr-do-sol, passando a respeitar uma espécie de recolher obrigatório; os motoristas de táxis ou de transportes públicos colectivos se recusam a deslocar-se para determinados bairros, temendo pela sua integridade física, seu património e sua vida, as pessoas de um modo geral restringem fortemente a sua liberdade de ir e vir, com receio de serem vítimas do crime”, completou.

Esta “indisfarçável realidade” decorre, segundo disse, do facto de o Governo ter “falhado em, praticamente, todas as suas metas” em matéria de combate à criminalidade e de promoção da segurança.

“Diante do clamoroso falhanço das políticas para a segurança e combate à criminalidade, estrategicamente mudaram de discurso, passando a afirmar agora que, afinal, a responsabilidade pela situação pública e notória de insegurança e criminalidade, é todos, de cada indivíduo, das famílias, das comunidades, das igrejas, de organizações da sociedade civil”, continuou.

Entretanto, Démis Lobo Almeida realçou que os cabo-verdianos sabem que esta tese é “peregrina e falaciosa”, uma vez que, sem prejuízo da quota parte das famílias e da sociedade cabo-verdiana, a responsabilidade pela situação de insegurança e criminalidade que graça no País é, primeira e fundamentalmente, do Governo de Cabo Verde, do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna.

“Nota-se que o Estado está a perder autoridade, a nossa Polícia Nacional não está motivada, a reinserção cocial é uma miragem, uma não política, com resultados de paradigma zero, que desembocam na crescente reincidência criminal. Isto, para além dos clássicos problemas associados à fabricação de armas, ao porte e uso indevido de armas e munições, ao tráfico e consumo de drogas, álcool, e outras substâncias psicoativas”, completou.

GSF/ZS

Inforpress/Fim

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