Parlamento: Presidente do PAICV acusa Governo de colocar em causa a imagem e credibilidade do país

Cidade da Praia, 27 Jan (Inforpress) – A presidente do PAICV, Janira Hoppfer Almada, acusou hoje o Governo de Ulisses Correia e Silva de ter colocado em causa a imagem e credibilidade de Cabo Verde construídas com muito trabalho por várias gerações de diplomatas.

Janira Hoppfer Almada, que discursava no início do debate parlamentar mensal com o primeiro-ministro, tendo como tema política externa de Cabo Verde proposto pela UCID, disse que durante os quase cinco anos de governação, Cabo Verde registou momentos que em nada engrandecem o nome do país, para além de ter colocado em causa a própria imagem de Cabo Verde.

“Durante esses quase cincos anos a governação não só não conseguiu reforçar a imagem de credibilidade externa do país como também contribuiu para a erosão do rico legado que foi deixado por várias gerações de diplomatas que ao longo dos anos trabalharam de sol a sol para erguer o nome de Cabo verde reforçar a credibilidade externa e garantir o lugar dessa nossa pátria mãe no concerto das nações”, afirmou.

A líder do PAICV salientou que este debate ocorre num contexto muito particular, depois do “escândalo que abalou o país”, numa alusão à polémica sobre a nomeação do cônsul de Cabo Verde na Flórida, salientando que a demissão do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Luís Filipe Tavares, é apenas um detalhe.

“Todos sabemos que a política externa de um governo nunca é responsabilidade de um ministro, sendo antes a implementação de um Governo que tem um chefe de Governo e que é suportado por uma maioria”, disse, acrescentando que desde o início do mandato o Governo e a maioria que o suporta deram sinais de que não estariam a colocar em primeiro lugar os superiores interesses do país.

“Desde a primeira hora, esta maioria, este Governo e este primeiro-ministro deixaram claro que o patriotismo não seria o seu norte, e ao invés da neutralidade da diplomacia e na diplomacia que sempre caracterizou as relações de Cabo Verde com o mundo assumiu que privilegiaria uns em detrimento de outros, e em alguns casos fez esta opção contra os próprios interesses do país e violando a própria constituição da república”, acusou.

De entre os diversos episódios Janira Hopffer Almada referiu-se àquilo que classifica de “forma humilhante” como Cabo Verde perdeu a presidência da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), “à má gestão” do dossiê UNECA (Comissão Econômica das Nações Unidas para a África), e dos sucessivos anúncios “mal ponderados” que acabaram por ser desmentidos por ministros de outros países.

“Tudo isso foi demonstrando desde o início a falta de responsabilidade, de sentido de Estado em questões de Estado, para além de uma nítida falta de noção de que nesta matéria há que procurar consensos e mobilizar toda a nação”, disse, pedindo a responsabilização por esses “falhanços”.

Janira Hoopfer Almada questionou ainda sobre os ganhos da presidência cabo-verdiana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e ainda perguntou ao primeiro-ministro se não o perturba como africano e como cabo-verdiano nomear alguém que supostamente financia um partido da extrema direita, cuja ideologia é claramente segregacionista e, portanto, contra africanos.

“Queremos perguntar que interesses ainda não confessos estarão na origem da nomeação desses dois cidadãos como cônsules honorários de Cabo Verde precisamente no país onde Cabo Verde tem a sua maior diáspora”, questionou.

Janira Hoppfer Almada finalizou afirmando que Cabo Verde precisa de uma política externa que coloque em primeiro lugar os interesses do país e com sentido patriótico.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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