Parlamento: Poder e oposição com visões diferentes sobre situação da Juventude e Desporto

Cidade da Praia, 09 Mar (Inforpress) – O deputado Euclides Silva (MpD-poder) defendeu hoje, no parlamento, que há um aumento do volume de investimentos para beneficiar os jovens, mas na visão do deputado Walter Évora (PAICV-oposição) o que existe é a exclusão no trabalho formal.

Nos discursos iniciais no debate com o ministro adjunto do primeiro-ministro para a Juventude e Desporto, Euclides Silva destacou o aumento do volume de investimentos sociais para beneficiar os jovens, no País, e a resiliência demonstrada pelos mesmos depois de quatro anos de seca e da pandemia, enquanto o deputado Walter Évora considerou que “a juventude cabo-verdiana é o grupo que regista a maior exclusão do campo de trabalho formal”.

Euclides Silva afiançou que as transferências sociais aumentaram de 5,8 milhões de contos em 2015 para 10 milhões de contos em 2021, “mostrando que o Governo soube, com inteligência, interpretar as dificuldades”.

“Nos últimos anos, o país passou por grandes dificuldades com quatro anos de seca e a pandemia da covid-19”, disse Euclides Silva, assumindo que foram, sobretudo, “anos difíceis, mas que mostraram a resiliência de Cabo Verde, que mostraram a resiliência dos jovens”.

E isso, garantiu o parlamentar, “só foi possível porque nunca se assistiu a tamanho investimento social em Cabo Verde, ou seja, na juventude!”, precisando que foram mais de 24.423 trabalhadores, maioritariamente jovens, que se mantiveram empregados “graças a esta medida de política responsável”.

Euclides Silva destacou várias acções do Governo que, em seu entender, beneficiaram milhares de jovens, nomeadamente, a implementação da moratória, a disponibilização de vacinas, a implementação do programa formação profissional e de estágios profissionais, o ensino gratuito e a atribuição de bolsas de estudo, o aumento do emprego público e a bonificação dos juros bancários para a aquisição de casa própria, entre outros.

“As oportunidades criadas por este Governo, e que são do conhecimento dos jovens, são muitas e vão desde os sectores da educação, formação, habitação, passando pelos programas de apoios e incentivos ao empreendedorismo, beneficiando jovens de todas as ilhas do País e de todos os estratos sociais”, concluiu Euclides Silva.

Por seu lado, o deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) pôs tónica na “espontaneidade, criatividade, resiliência, robustez física e intelectual” da juventude cabo-verdiana que, apesar de todas as dificuldades que enfrenta, é detentora de uma “grande alegria de viver” e os jovens são a “força motora da sociedade” cabo-verdiana a nível social, cultural e desportivo.

Walter Évora disse entender que, apesar da sua significativa expressão demográfica e das suas características típicas do povo cabo-verdiano, a juventude cabo-verdiana é o grupo que regista a maior exclusão no campo do trabalho formal e são os mais afectados pelo desemprego, os mais expostos à pobreza, os que mais sofrem com a exploração laboral, pelo que milhares de jovens têm de recorrer a trabalhos informais e precários para poderem suprir as suas necessidades económicas.

Segundo o deputado do PAICV, há um número crescente de jovens nos centros urbanos e no meio rural que, afirma, não consegue nenhuma fonte de rendimento e apresentou estatísticas do desemprego jovem, de jovens fora do sistema de ensino, no subemprego, de licenciados em situação de desemprego prolongado, entre outros problemas que, em seu entender, afectam a juventude cabo-verdiana.

É que, para aquele parlamentar, há uma grande discrepância entre as ofertas formativas e as necessidades do mercado de trabalho que, conforme disse, não consegue absorver a quantidade de jovens que são formados todos os anos, e, por isso, critica, a ausência de uma política de estímulo das actividades produtivas no meio rural, entre outras.

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID – oposição), pela voz da deputada Zilda Oliveira, entende que os jovens constituem a categoria que imprime a dinâmica necessária nos vários domínios da vida em sociedade e, consequentemente, constituem no motor de desenvolvimento que se pretende, mas enfrentam o desafio do desemprego.

“Estima-se que 77.480 jovens estejam sem emprego e fora do sistema de formação”, precisou Zilda Oliveira, indicando que “a realização do direito ao emprego passa por respostas inteligentes”, nomeadamente, “apoiar iniciativas dos jovens na área do emprego, dotá-los de ferramentas como a formação profissional e a concessão de micro-crédito pelo empreendedorismo”.

Zilda Oliveira defendeu, igualmente, a necessidade de resgatar valores morais e éticos e a adopção de políticas que anulem comportamentos desviantes e, consequentemente, a delinquência juvenil, pelo que recomendou a aposta na ocupação dos tempos livres e no desporto.

Este debate integra a agenda da primeira sessão parlamentar de Março que decorre de hoje à próxima sexta-feira, 11, durante a qual estão previstos outros pontos como as perguntas ao Governo, a aprovação de propostas de lei e a aprovação de resoluções.

HF/CP

Inforpress/Fim

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