Parlamento: Pandemia da covid-19 já fez Governo gastar dois milhões de contos de Março até agora – ministro 

Mindelo, 26 Nov (Inforpress) – O ministro de Estado, Fernando Elísio Freire, garantiu hoje, no Parlamento, que o Governo gastou desde o início da pandemia da covid-19, em Março, até agora dois milhões de contos para “proteger” os cabo-verdianos.

O governante reagia à critica do líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), António Monteiro, que questionou “porque só agora o Governo começou a pensar nas situações para que a economia e as pessoas pudessem sentir menos impacto da covid-19 nas suas vidas”.

Para o presidente da UCID, o Governo deve assumir que existem problemas que “não são poucos e encontrar as soluções, independentemente das divergências políticas”.

Fernando Elísio Freire lembrou a António Monteiro que o orçamento de 2021, que esteve a ser debatido durante o dia de hoje, e com continuação esta sexta-feira, é virado para o combate à covid-19, para “proteger a saúde dos cabo-verdianos, segundo, para proteger os seus rendimentos e, terceiro, para proteger os seus empregos”.

Segundo a mesma fonte, as medidas não estão a ser tomadas só agora, mas sim há uma continuidade e para que os cabo-verdianos tenham noção, “em três anos de seca, o Governo gastou 1,1 milhões de contos e de Março até agora gastou-se dois milhões de contos”.

Fernando Elísio Freire reiterou que com essas despesas e “com muitos cabo-verdianos em situação difícil” e com os países do mundo na mesma situação, Cabo Verde “só conseguirá resolver os seus problemas com endividamento”, e agradeceu a disponibilidade de António Monteiro em apoiar a lei de endividamento interno, também em debate nesta sessão do parlamento.

O deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) José Maria da Veiga questionou, por seu lado, o facto de o Governo dizer no orçamento que vai buscar cerca de seis milhões de contos à banca nacional, quando as empresas precisam de financiamento para a retoma.

“É claro que com isto os bancos preferem emprestar dinheiro ao Estado do que às empresas, porque é mais seguro, tem menos risco, o que retira oportunidades ao sector privado nacional, que já se encontra em dificuldades”, lançou.

O debate parlamentar continuou com assuntos como as barragens e ainda a privatização da TACV, com o PAICV a emitir um requerimento à mesa da assembleia, pedindo o relatório da venda da companhia nacional ao parceiro estratégico, Loftleidir Cabo Verde e saber do “paradeiro” dos 48 mil contos alegadamente recebidos pelo Governo.

O requerimento foi aprovado pela unanimidade dos deputados e o PAICV na sua declaração de voto, feito pelo líder parlamentar, Rui Semedo, pediu que o Governo não demore a entregar os documentos. A mesma coisa também pedida por António Monteiro, da UCID.

Já a líder da bancada do MpD, Joana Rosa, disse que o seu Grupo Parlamentar votou a favor, porque “não existe nada a esconder e tudo foi feito de forma transparente”.

O assunto deverá continuar a ser debatido, esta sexta-feira, nesta segunda sessão parlamentar de Novembro, para debate, na generalidade, do Orçamento do Estado de 2021 e ainda das leis do orçamento privativo da Assembleia Nacional e ainda a lei de aumento do endividamento interno.

LN/HF

Inforpress/Fim

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