Parlamento: PAICV denuncia “degradação de condições de vida e empobrecimento generalizado” das famílias cabo-verdianas

Cidade da Praia, 09 Jun (Inforpress) – A deputada Carla Lima afirmou hoje que há uma “clara degradação” das condições de vida, “empobrecimento generalizado” das famílias cabo-verdianas e uma “quadruplicação do número de pessoas em situação de carência alimentar” em Cabo Verde.

A parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) falava na apresentação da declaração política do seu partido, na manhã de hoje,  durante a sessão parlamentar do mês de Junho.

Conforme realçou, depois crise sanitária da covid-19, cinco anos de seca e a invasão da Rússia que desencadeou a guerra na Ucrânia estão a ter um “impacto devastador” na vida de muitas famílias cabo-verdianas, salientando que a subida global dos preços dos alimentos e dos combustíveis, causada pelo conflito, está a tornar “mais difícil a vida de muitos cidadãos, sobretudo os mais pobres”.

Segundo a deputada do maior partido da oposição, actualmente não se conhecem os dados exactos da pobreza em Cabo Verde, pois, justificou, o Governo “não tem nem intenção, nem interesse” em ter dados fidedignos sobre a pobreza, que venham contrariar “o País cor-de-rosa” que vem pintando aos cabo-verdianos.

Mas, frisou, considerando os dados do Censo de 2021, estima-se que a pobreza se situa nos 38 por cento (%), aumentou mais três pontos percentuais do que em 2015, e a pobreza extrema estará acima dos 23%, mais 13 pontos percentuais.

“Isto quer dizer e é visível, a olhos nus, que há um empobrecimento generalizado das famílias cabo-verdianas, hoje, para além dos pobres que já existiam, temos, infelizmente, os denominados novos pobres e um Governo responsável não pode ignorar esses factos”, reforçou a deputada.

Indicou que há uma “grande quantidade” de pessoas que de um momento para o outro perdeu o emprego e rendimentos, jovens formados que não conseguem ingressar no mercado de trabalho e agravamento da situação das micro, pequenas e medias empresas cabo-verdianas.

“Para além do aumento galopante dos preços produtos alimentares, os cabo-verdianos enfrentam sérios riscos de ruptura de stocks de bens essenciais.  Aliás, é o próprio Governo que assume que a insegurança alimentar quadruplicou em relação à média histórica do País”, asseverou, acrescentando que há neste momento “muitas pessoas a passar fome” em Cabo Verde.

Apontou ainda que no meio rural há ausência de políticas que possam minorar a situação no campo e que os planos de mitigação do mau ano agrícola não têm servido para diminuir as dificuldades daqueles que dependem da agricultura.

Acrescentou que as políticas de salvamento do gado também “não têm tido impacto”, a quantidade de água disponível, seja para consumo, seja para rega, “é ínfima”, o desemprego “aumenta exponencialmente”, os rendimentos “escasseiam” e a pobreza “é muito maior”, não somente no meio rural, mas também nos grandes centros urbanos.

Tudo isto, assinalou Carla Lima, está a pôr em causa a segurança alimentar e a saúde nutricional de uma boa franja dos cabo-verdianos.

“Todas essas e demais alterações estão a tornar 2022 num ano extraordinariamente penoso para as famílias e empresas”, precisou.

Carla Lima frisou, por outro lado, que relativamente à adopção de medidas emergenciais, ficou-se “apenas pela atenuação de alguns preços e pela suspensão da regulação nalguns domínios”, uma situação que, prosseguiu, preocupa o PAICV porque os resultados ficaram “muito aquém” do esperado.

Neste sentido, sublinhou, e tendo em conta que o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, reiterou que vai eliminar a pobreza extrema nos próximos cinco anos, questionou o Governo para quando serão disponibilizados os dados fiáveis sobre a pobreza e o desemprego no País e adoptadas as “medidas assertivas” para melhorar a qualidade e condição de vida dos cabo-verdianos.

Em reação a declaração política do PAICV, a deputada do Movimento para a Democracia (MpD, poder), Lúcia dos Passos, desvalorizou a intervenção de Carla Lima afirmando que o Governo é responsável e que tem estado a governar com políticas centradas nas pessoas.

“Temos agendado amanha um debate com o ministro da Família e Inclusão social, o PAICV quis antecipar, entretanto estamos aqui para clarificar os cabo-verdianos sobre algumas inverdades contidas na declaração política do PAICV”, declarou, acrescentando que o Governo tem tomado medidas que tem acudido as famílias cabo-verdianas que estão em situação de vulnerabilidade

Reconheceu, no entanto, que o executivo não atingiu a meta estabelecida e que as medidas tomadas atempadamente não são suficientes, lembrando nos últimos anos o mundo foi afectado pela pandemia, crise socioeconómico e com a guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão russa.

Por seu lado, a ministra da Presidência do Conselho de Ministros, Filomena Gonçalves, considerou que o Governo tem trabalhado e continuará a trabalhar para o bem-estar dos cabo-verdianos, maturação e defesa da democracia, visando combater a pobreza no País.

“Temos um Governo com rostos humano, que tem acudido o povo das ilhas num momento difícil. Todos nós lembramos como se fosse hoje quando foram declarados o estado de emergência e o confinamento, o Governo utilizou tudo o que tinha para que não faltasse nada a ninguém e garantir a subsistência”, afirmou, ao mesmo tempo que apelava ao espírito “patriótico e construtivo” para ajudar o país a ultrapassar os desafios.

CM/AA

Inforpress/Fim

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