Parlamento: “Economia marítima é um sector de crescimento natural para Cabo Verde” – líder do PAICV

Cidade da Praia, 28 Mar (Inforpress) – A líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada, considerou hoje, no Parlamento, que a economia marítima é um “sector de crescimento natural” para Cabo Verde.

No seu discurso de encerramento do debate da interpelação ao Governo, protagonizada pela PAICV, Janira Hopffer Almada disse que quando o seu partido deixou a governação, em Março de 2016, a economia marítima estava “em take-off” (posição de decolagem dos aviões) porque, adiantou, este sector era, para o PAICV, “uma prioridade que cresceu ao longo dos últimos 10 anos” da governação do seu partido.

Janira Hopffer Almada enumerou uma série de actividades que o governo do PAICV atribuía ao sector, nomeadamente, o abastecimento de combustível (bunkering), a reparação naval e serviços, o transbordo de contentores, a pesca e a aquacultura, o processamento e exportação de produtos da pesca, o registo de navios, a investigação marítima, a logística portuária, o turismo de cruzeiro e os desportos náuticos e aquáticos.

A líder do maior partido da oposição referiu várias acções desenvolvidas e os sucessos alcançados pela governação do PAICV neste sector, com destaque para a construção e requalificação de várias infra-estruturas portuárias no país, pelo que, no entender da líder da oposição, o povo espera que se faça do mar e da economia marítima “um verdadeiro desígnio nacional”.

Janira Hopffer Almada criticou o MpD que, conforme disse, “colocou os próprios interesses à frente dos interesses do país” e começou a “desmantelar tudo aquilo que encontrou” e, por isso, hoje “está a ser vítima de si próprio, das falsidades que propalou e da sede de poder que o assolou” razão porque “não conseguiu actuar com a magnanimidade” que deve caracterizar os governos que “colocam os interesses do povo em primeiro lugar”.

Para Janira Hopffer Almada “se há domínio em que o governo do PAICV trabalhou, deu mote e deixou projectos e parcerias, este domínio é o da economia marítima” e acrescenta que aquilo que o actual Governo apresenta como “sua visão” não passa da visão do governo chinês, conhecido como “a nova rota da seda”.

O vice primeiro-ministro, Olavo Correia, em representação do Governo, começou por considerar, em referência ao discurso de Janira Hopffer Almada que “o governo do PAICV deixou o sector marítimo em ‘take-off’ durante 15 anos e nunca conseguiu levantar voo” e, continuou Olavo Correia, “foi por isso que perderam as eleições”.

Olavo Correia disse nunca ter respondido às críticas da oposição de que o Governo, através do ministro das Finanças, seria contra o investimento público em São Vicente, porque só responde com “resultados” e citou os casos dos investimentos na estrada Baía das Gatas/Mindelo e o terminal de cruzeiros como investimentos públicos para a do Porto Grande.

Correia assume que “o Governo tem mandato para desmantelar aquilo que tem de ser desmantelado, para desconstruir aquilo que tem de ser desconstruído e para governar”, o que, para Olavo Correia, “significa agir sem medo das vossas conotações”.

“O Governo continua a apoiar os nacionais na transformação da economia marítima” garantiu Olavo Correia, adiantando que o objectivo do executivo é “fazer de Cabo Verde uma plataforma marítima no Atlântico médio” e isso, explica o governante, “só será possível com o concurso de todos os cabo-verdianos e dos empresários que labutam nesse sector”.

“Nós estamos a trabalhar para garantir essa participação” afiançou Olavo Correia explicando que o governo vai garantir aos nacionais 25 por cento da empresa concessionária dos transportes marítimos, o financiamento para a modernização da frota com recurso a linhas de financiamento, já negociadas com parceiros internacionais, para apoiar as micro, as pequenas, as médias e as grandes empresas cabo-verdianas que actuam nesse sector.

Olavo Correia anunciou que o Governo está a trabalhar para encontrar uma solução para a Cabo Verde Fast Ferry, explicando que “após uma solução para os transportes marítimos em Cabo Verde, seguramente temos de encontrar uma solução diferente para a Cabo Verde Fast Ferry” já que, nessa altura, “o Governo não terá interesse em ser accionista desta empresa e os privados terão uma solução”.

Olavo Correia respondeu a vários outros questionamentos dos deputados durante o debate que durou todo o dia de hoje, concluindo que “o Governo pretende que o país disponha de um transporte marítimo moderno, eficiente, seguro, a bom preço e a ligar todas as ilhas de Cabo Verde”.

HF/AA

Inforpress/Fim

 

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