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Parlamento/Corrupção: MpD diz que PAICV não tem moral para levantar suspeições sobre actuação do Governo

Cidade da Praia, 06 Jan (Inforpress) – O grupo parlamentar do MpD apresentou hoje uma declaração política sobre a questão da corrupção em Cabo Verde, durante a qual considerou que o PAICV “não tem moral e ética” para levantar suspeições sobre a actuação do Governo.

Durante a sua explanação, o vice-líder do grupo, Armindo Luz, apontou uma série de situações que na sua perspectiva consubstanciam em casos de corrupção durante a governação do PAICV, prejudicando as empresas e as famílias cabo-verdianas.

O deputado do MpD falou daquilo que considerou “delapidação dos recursos públicos” por instituições e gente ligada ao poder de então, desvio de recursos públicos, de obras públicas executadas por empresa de ministros, barragens que não conseguiram reter água, onde foram gastos recursos para tirar muitas pessoas da pobreza.

Apontou ainda para a gestão do Fundo do Ambiente, que afirma foi gerido em contas bancárias de particulares e associações fantasmas, da gestão do Novo Banco, criado para financiar os camaradas, sem garantias e sem contratos de crédito, da gestão danosa do fundo autónomo de apoio à cultura e da má gestão da empresa Cabo Verde Fast Ferry.

“Notícias e fontes do Governo dizem-nos que cerca de 40 processos foram remetidos à Procuradoria da República e, decorridos cinco anos, ao menos o Fundo do Ambiente conseguiu dar um passo e já há altos dirigentes do PAICV constituídos arguidos”, indicou.

Por tudo isso, Armindo Luz questionou se o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – no poder de 2001 a 2016) tem ética e moral para continuar a levantar suspeições infundadas, baseadas em suposições à volta da governação do MpD.

“É caso para dizer que o PAICV fala de corrupção e depois esconde-se no seu próprio véu. É a saga do PAICV vendo-se ao espelho”, sublinhou indicando que o grupo Parlamentar do MpD se regozija com os resultados alcançados pelo Governo do MpD, Ulisses Correia e Silva no combate à corrupção e na construção de um Cabo Verde mais transparente, que preste contas, e que dá exemplos de boas práticas.

“Ulisses Correia e Silva inaugurou um novo paradigma ao nível da gestão da coisa pública, exemplo-modelo da transparência no país, tendo Cabo Verde acumulado rasgados elogios à escala mundial, vindos de insuspeitas instituições internacionais, nomeadamente o FMI, o Banco Mundial e o BAD. A Transparência passou a ser o denominador comum a todas as instituições da República”, sustentou.

Em reacção, o líder do grupo parlamentar do PAICV, Rui Semedo, disse que essa declaração e esse discurso “já de campanha eleitoral”, demonstra que o Governo sustentado pelo Movimento para a Democracia (MpD) não tem obra para apresentar nesse momento de balanço.

“Está a fazer a sua campanha com base em calúnias, difamação, críticas e perseguição de pessoas, e na tentativa de manchar o carácter de personalidades, de figuras públicas. Esta é a linha é o mote que já foi dado”, disse.

Rui Semedo adiantou que neste momento os cabo-verdianos precisam que o Governo faça o balanço dos cinco anos de governação, dos compromissos e promessas não cumpridas e de propostas novas para o desenvolvimento de projecção do país.

Rui Semedo reconhece que a corrupção é má em qualquer regime ou governo e afirmou que há, de facto, factos que preocupam como os casos da intransparência nas privatizações.

Por outro lado, questiona porque é que o MpD não fala, da gestão do solo e do mercado municipal (Mercado de Coco) em construção na cidade da Praia, e onde estão os 300 mil contos que o Governo previu no Orçamento para a conclusão dessa obra, com quase 10 anos de execução.

A UCID também entrou no debate, com o deputado António Monteiro a considerar que existem em Cabo Verde várias situações, desde a independência até, que “infelizmente” não deixaram o país ficar bem na fotografia relativamente a esta matéria.

“O que nós os deputados da UCID e o partido de uma forma geral gostaríamos de ver era governos de Cabo Verde com uma força titânica para fazer o combate à corrupção, criemos os mecanismos necessários para podermos blindar as nossas ilhas desse mal que tanto mal tem feito às empresas e às famílias, sobretudo mais pobres”, disse.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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