Parceiros sociais voltam a reunir-se em Agosto para analisar possibilidade de aumento salarial em 2023

Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) – Os parceiros sociais voltam a reunir-se em Agosto para a apreciação da política de rendimentos e preços e um eventual aumento salarial para 2023, no quadro da apreciação das directivas do orçamento de Estado para 2023.

A informação foi avançada hoje pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva no final da reunião do Conselho de Concertação Social, que teve na agenda a análise da situação de emergência económica e social derivada da guerra na Ucrânia, suas implicações no sector energético e combustíveis e medidas de políticas, bem como as implicações no sector alimentar.

O chefe do Governo adiantou que houve um reconhecimento de todos parceiros sociais, nomeadamente dos sindicatos e dos empregadores, da “gravidade do momento” em que o mundo e Cabo Verde vivem, consequência da tripla crise – a pandemia da covid-19, a guerra na Ucrânia e a emergência climática.

Ulisses Correia e Silva salientou que, no caso de Cabo Verde, é mais que evidente que essas crises têm provocado impactos muito fortes a nível da contracção económica global, do aumento da pobreza e das desigualdades, do aumento da dívida pública, da escalada inflacionista dos preços dos produtos e dos combustíveis, energia e alimentos.

Por isso indicou que foi consensual de que não há condições para a actualização salarial e pensões em 2022, tendo ficado agendado para o mês de Agosto deste ano, um novo encontro para uma “análise aprofundada” da política de rendimentos e preços para o ano de 2023, dentro do quadro da apreciação das directivas do orçamento de Estado para 2023.

“Portanto nessa altura estaremos a fazer uma apreciação tendo em conta o contexto interno e contexto externo, e tendo em conta as várias posições que serão de certa forma apresentadas nessa altura e aquilo que poderá ser o quadro de compromisso a ser assumido”, disse Ulisses Correia e Silva.

Igualmente adiantou que ficou decidido a realização da reunião do Conselho de Concertação Social a apreciação daquilo que são as grandes perspectivas que se abrem na fase pós-crises com foco na questão da transição energética, a acção climática, a transformação digital, por forma a promover transformações estruturais para que o País possa crescer, tornar-se mais resiliente e alcançar o desenvolvimento sustentável.

Da parte dos sindicatos os representantes das duas centrais sindicais, da União Nacional dos Trabalhadores cabo-verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, e da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), José Manuel Vaz, reconheceram que, de facto, a situação é “complicada” e tem prejudicado também os trabalhadores.

Por outro lado, congratularam-se com as medidas que o Governo vem tomando para mitigar os efeitos das crises, mas insistiram na questão da reposição do poder de compra, pelo que receberam de “bom grado” a disponibilidade do Governo em agendar uma nova reunião no mês de Agosto para a apreciação da possibilidade do aumento salarial em 2023, devendo, nessa altura, apresentar as propostas.

Em nome dos empregadores, o presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCS), Marcos Rodrigues, disse que há uma consciência de que o momento é “crítico”, já que a inflação “come” substancialmente uma parte da margem dos resultados das empresas, criando também dificuldades em responder às várias exigências que lhes são colocadas.

“Entendemos desde a questão dos sindicatos e o Governo também na questão da contribuição fiscal e outras mais.  E a nossa preocupação, o nosso serviço é entender os players que convergem no desenvolvimento e encontrarmos soluções que sejam positivas”, disse.

“Ao Governo dizer que os empregadores estão sempre disponíveis para dar o apoio necessário e encontrar os caminhos que os levam a bom porto, tendo em conta as grandes incertezas”, acrescentou.

MJB/HF

Inforpress/fim

 

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