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Papa Francisco na Amazónia peruana para ouvir indígenas

 

Lima, 19 Jan (Inforpress) – O papa Francisco desloca-se hoje a Puerto Maldonado, onde tem previsto um encontro com perto de quatro mil representantes de povos da Amazónia, na primeira etapa da visita ao Peru.

Durante a tarde, o papa regressa a Lima para proferir um discurso perante as autoridades peruanas.

Em Puerto Maldonado (sudeste), Francisco vai ouvir os problemas e reivindicações, através de dois porta-vozes indígenas, e entregar aos diferentes grupos representados a sua encíclica “Laudato Si” (2015), na qual fala da necessidade de defender o ambiente, já traduzida para várias línguas indígenas.

Depois, visitará o Instituto Jorge Basadre para um encontro com os fiéis católicos desta localidade, seguindo-se o “Lar Principito” que acolhe crianças sem família numa das regiões mais pobres do Peru.

O almoço será com representantes indígenas no centro Apaktone, nome dado pelos indígenas ao missionário espanhol José Alvarez Fernandez.

No regresso de Puerto Maldonado, o chefe da Igreja católica vai discursar perante as autoridades peruanas e manterá um encontro com o Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski.

Posteriormente, tal como em todos os países onde está presente a Companhia de Jesus, à qual pertence, Francisco vai reunir-se com perto de 100 jesuítas na igreja de São Pedro de Lima.

A visita do papa a esta zona do sul do Peru é vista como uma oportunidade para denunciar a situação que ali se vive devido à actividade mineira ilegal.

Numa carta comum dirigida ao papa, vários líderes indígenas pediram a sua ajuda para conseguirem “uma alternativa à tentação do inferno mineiro”.

“No sul do Peru, a prospecção de ouro é o factor mais crítico” de desflorestação, disse Matt Finer, director do projecto Maap (vigilância dos Andes amazónicos), conduzido por duas associações ecologistas, uma local e a outra norte-americana.

Com satélites e ‘drones’ [aviões não tripulados], a Maap publica na internet (http://maaproject.org), em tempo quase real, a destruição da Amazónia peruana, que se acelerou com um recorde de 20 mil hectares desaparecidos dos mapas em 2017.

O objectivo é “alertar para novas zonas de desflorestação devido à actividade mineira ilegal”, indicou Daniela Pogliani, directora da associação Conservacion amazonica, garantindo que aquela ferramenta já permitiu, em várias ocasiões, a intervenção das autoridades.

“A visita do papa é muito positiva. É preciso que a realidade de Madre de Dios seja conhecida”, considerou Pogliani, já que se trata “da região com maior biodiversidade do Peru”, povoada por jaguares, papagaios e macacos, mas destruída por uma actividade mineira “muito destrutiva”.

O Peru é o quinto produtor mundial de ouro. De acordo com um relatório de 2016 da Iniciativa Mundial contra o Crime Organizado, 90% do metal precioso de Madre de Dios provém de minas artesanais ou ilegais.

Para extrair ouro, os mineiros artesanais usam mercúrio, extremamente poluente que se infiltra nas terras e nas águas de Puerto Maldonado, contaminando peixes.

“O efeito mais comum surge no sistema neurológico”, cujo desenvolvimento é afectado, especialmente “nas grávidas e crianças”, explicou Susan Egan Keane, da organização não-governamental norte-americana Natural Resources Defense Council (NRDC).

Instalados nas margens dos rios, os acampamentos de dezenas de milhares de mineiros ilegais transformaram-se em verdadeiras cidades e zonas sem direito muito violentas.

Alguns trabalhadores, nomeadamente crianças, são reduzidos à escravatura por traficantes. Jovens mulheres, que chegam à zona com promessas de emprego, ficam sem documentos e são forçadas a prostituir-se.

No acampamento maior, A Pampa, “pessoas são mortas todos os dias”, confirmou Gabriel Arriaran, antropólogo e jornalista especialista da região. “É como no México: valas comuns, pessoas desaparecidas, guerras entre grupos…”
Lusa/Fim

 

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