Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Países africanos lusófonos estão “no grau zero” de conhecimento mútuo – Mia Couto

Cidade da Praia, 10 Fev (Inforpress) – O escritor moçambicano Mia Couto defendeu, na Cidade da Praia, que os países africanos lusófonos “estão no grau zero” de conhecimento cultural mútuo, adiantando que continua a “existir um triângulo tipicamente colonial” no seu relacionamento.

“Estamos no grau zero. Para conhecer o que se passa ou o que se faz em Cabo Verde ou em Angola ou na Guiné-Bissau ou em São Tomé e Príncipe tenho de ir à Europa, passo por Portugal. Esse triângulo tipicamente colonial continua a existir”, disse Mia Couto.

O escritor moçambicano está em Cabo Verde, onde hoje será recebido pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, depois de sexta-feira ter participado numa conversa no âmbito do festival literário Morabeza.

Em declarações aos jornalistas, sublinhou a quase inexistência de trocas no domínio da literatura e o fraco conhecimento em outras áreas, ressalvando a exceção cabo-verdiana na música.

“Cabo Verde é uma exceção porque é um grande centro de exportação de música”, disse.

Por isso, o escritor elogiou a decisão da futura presidência cabo-verdiana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de eleger como prioridade a criação de um mercado comum de arte e cultura lusófonas.

“Isso é muito bom. Faz falta. É preciso que se roube a iniciativa que agora esta completamente nas mãos do mercado. Quem tem o critério de edição é o mercado e isso sozinho não basta. É preciso que haja qualquer coisa que force um outro critério. Um jovem que não tem venda e que é bom tem de ser apoiado por alguém e esse alguém tem de ser o Estado, uma outra voz”, disse.

Durante a conversa com o público, que decorreu na Biblioteca Nacional, o escritor defendeu também a existência da “figura de um editor” para a literatura portuguesa, considerando que tornaria a escrita “mais interessante”.

“No mundo da língua portuguesa também faz falta uma figura de um editor, como há na literatura anglo-saxónica. O editor intervém na escrita e discute com o autor, portanto ele é quase um coautor. Na língua portuguesa acontece o contrário, o autor é como uma entidade divina”, disse.

A conversa com Mia Couto inseriu-se na primeira edição do festival literário Morabeza, que decorreu entre 31 de Outubro a 05 de Novembro, e na qual Mia Couto deveria ter participado.

Compromissos profissionais impediram o autor de “Terra Sonâmbula” de vir nessa altura, tendo a sua participação sido adiada para agora.

Inforpress/Lusa

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos