PAICV questiona “tratamento desigual” na criação de áreas marinhas em São Vicente e Santiago (c/áudio)

Mindelo, 05 Mai (Inforpress) – Os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) pelo círculo de São Vicente questionaram a razão pela qual a ilha “não está a merecer” a mesma atenção que Santiago na criação de áreas marinhas protegidas.

Segundo a porta-voz, Josina Fortes, que falava hoje em conferência de imprensa, no Mindelo, a questão é uma das muitas preocupações levantadas pela população sanvicentina durante a visita realizada ao círculo eleitoral.

Daí, ajuntou, o partido perguntar e os mindelenses quererem saber o porquê de São Vicente não estar a merecer a mesma atenção que Santiago na criação de áreas marinhas protegidas.

A deputada exemplificou com um caso da comunidade piscatória do Calhau, que alegadamente entregou um dossiê desde Abril de 2021, com avaliação ambiental, estudo socioeconómico e proposta de delimitação, mostrando a importância da biodiversidade no local e ao mesmo tempo promover actividades geradoras de rendimento.

Contudo, conforme a mesma fonte, até agora “só receberam o silêncio” do Governo, isto quando na mesma altura foi entregado uma proposta similar para a Baía do Inferno, em Santiago, que “já saiu no Boletim Oficial e já estão a trabalhar nela”.

“Como é que se explica que São Vicente continua a aguardar a atenção do Governo”, questionou a parlamentar.

Ainda relacionado com assuntos marítimos, Josina Fortes interpelou o executivo sobre o estado de ocupação da orla marítima nacional, que disse estar “sem planeamento” e “na maioria” entregue a investimentos estrangeiros.

Referindo-se à soberania nacional, disse acreditar que os cabo-verdianos é que devem decidir o que deve ser feito da orla marítima e “não os outros que vêm de fora é que devem dizer”.

A deputada mencionou um caso concreto de São Vicente, conforme disse, em que o PAICV está a averiguar relacionado com a praia de João Évora (Jon d´Ébra, como é mais conhecida) que tem neste momento “estradas com acesso bloqueados às pessoas e com área reservada”.

Os mindelenses, acrescentou, também querem saber, por outro lado, quais os critérios de recrutamento dos técnicos e dos altos dirigentes do Ministério do Mar, que “na sua maioria tem vindo da Praia”, embora o ministério tenha base em São Vicente.

“Perguntamos qual a razão da quase ausência de contratação de técnicos locais igualmente competentes”, lançou.

Josina Fortes afiançou que o PAICV vai levar estas questões à próxima sessão parlamentar, marcada para a próxima semana, assim como confrontar o executivo com facto de as peixeiras não beneficiarem da linha de apoio à pesca semi-industrial, quando “são as mais afectadas pela pobreza” e simultaneamente, sintetizou, as que “arcam com responsabilidades familiares”.

A porta-voz dos deputados do PAICV em São Vicente considerou ser preciso que “os discursos e os `slogans´ correspondam aos actos”, atitude essa que, a seu ver, também deveria verificar-se no acordo de pesca com a União Europeia, do qual ainda não se sabe “quais as medidas tomadas para a mitigação da pesca acidental e nem o porquê de até então não existir observadores nacionais a bordo dos navios”.

Na conferência de imprensa, a deputada aludiu ainda à regata Ocean Race, que deverá passar por Cabo Verde em 2023, contudo, avaliou, “ainda não se vê as obras” para acolher os visitantes.

LN/AA

Inforpress/Fim

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