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PAICV questiona massificação dos estágios profissionais e o “futuro reservado” aos estagiários

Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – A presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, questionou hoje aquilo que chamou de “massificação” dos estágios profissionais e pediu ao Governo que clarifique os contornos dessa massificação e qual o futuro que está a reservar a esses jovens estagiários.

Janira Hoppfer Almada, que falava aos jornalistas, à saída de um encontro com a direcção da União nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), no âmbito da preparação do debate sobre estado da Nação, disse que o seu partido está preocupado como a forma como o Governo está a gerir o programa de Estágios profissionais.

O líder do PAICV salientou que o estágio profissional é uma medida que é “boa”, quando implementada com o objectivo para o qual é criado em todas as paragens, em que o Governo está verdadeiramente comprometido com o desenvolvimento sustentável do país e com o desenvolvimento inclusivo da nação.

Contudo, salientou que em Cabo Verde, o Governo tem utilizado esse programa com contornos que ainda precisam “ser bem esclarecidos”.

“Primeiramente, qual é a real renumeração dos estagiários. Estou a perguntar isso porque é que muito jovens já começam a denunciar o facto de os estágios não estarem a ser renumerados. Em segundo lugar, qual é a duração do estágio porque o estagio não pode ser ad eternum. Portanto, terminado o período de estágios, qual é perspectiva para esses jovens”, questionou.

Questões que conforme adiantou, foram colocadas pela central sindical e que preocupam também o seu partido já que segundo

frisou, o Governo está a avançar com a sua massificação no ano de 2019, sabendo que em 2021 vai haver eleições.

“Portanto, essa conta temporal foi feita exactamente para estar próxima das eleições e o Governo e a maioria que o suporta poderem tirar dividendos eleitorais”, sustentou Janira, questionando, igualmente, porque o Governo não está a investir em sectores estratégicos de desenvolvimento para a geração de um trabalho digno.

“Temos um vice-primeiro-ministro a deslocar-se pelo país para, apresentar estágios profissionais ao invés de apresentar a visão de desenvolvimento para o país, os investimentos que serão feitos em sectores estratégicos e assim garantir um país desenvolvido em 2030”, disse.

Falando da situação laboral, Janira Hopffer Almada salientou que “ela é má” e afirmou que a precariedade laboral, que vem sendo denunciada pelos sindicatos, não tem merecida a atenção das autoridades do trabalho

“Não é por acaso que estamos a assistir a tantas greves e tanto pré-aviso de greve e tantas manifestações, insatisfações, disse, questionando por onde andam a Injecção e a Direcção geral do Trabalho, cuja missão é promover mediação para evitar conflitos laborais.

A líder do principal partido da oposição lembrou que o Governo de Ulisses Correia e Silva prometeu uma actualização salarial anual e que aprovou três orçamentos de Estado sem nenhuma actualização, tendo no último orçamento aprovado um aumento salarial de 2,2% que beneficiou apenas p 8% dos funcionários públicos.

MJB

Inforpress/fim

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