PAICV pede envolvimento de todas as instituições na celebração do centenário de nascimento de Amílcar Cabral

Cidade da Praia, 25 Jan (Inforpress) – O líder do PAICV, Rui Semedo, apelou hoje ao envolvimento de todas as instituições nacionais, inclusive o parlamento, na organização e realização de actividades comemorativas do centenário de nascimento de Amílcar Cabral este ano.

O apelo do presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) foi feito durante a declaração politica na segunda sessão parlamentar deste mês, que arrancou hoje e termina no dia 27 de Janeiro.

Na sua intervenção, Rui Semedo salientou que este ano a efeméride do Dia dos Heróis Nacionais, celebrada a 20 de Janeiro, tem uma relevância redobrada porque, lembrou, a mesma coincide com o cinquentenário do desaparecimento físico de Amílcar Cabral, um dos principais patronos desta data, que ostenta uma carga simbólica particular no processo da luta para a libertação dos povos da Guiné e de Cabo Verde.

Segundo o deputado do maior partido da oposição, Amílcar Cabral é, sem sombra de dúvidas, uma das figuras incontornáveis de Cabo Verde, cujo povo foi se temperando nas lutas e nas resistências.

“Cabral conseguiu dar conteúdo ao sonho de muitas gerações que almejavam um futuro melhor para o povo destas terras, um futuro com mais liberdade, com mais dignidade e com melhores condições de vida”, declarou.

De acordo com Rui Semedo, Amílcar Cabral tornou-se assim a figura maior da história de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, não apenas pela sua morte trágica, a 20 de Janeiro, mas, sobretudo pela dimensão das suas ideias, dos seus conhecimentos, da sua estratégia e da sua entrega.

Destacou a dimensão das causas que lutou, edificando em bases sólidas, profundas e enraizadas, não apenas em Cabo Verde, mas também em todo o continente africano e por esse mundo globalizado.

“Universidades e Investigadores dos Estados Unidos da América, de vários países da Europa, designadamente, Itália e Alemanha, da África, da Ásia como o Japão, ou mesmo no Líbano ou no Israel, já se dedicam, com profundidade, ao estudo do acervo de materiais produzidos por Amílcar Cabral”, indicou, considerando uma contradição o facto de Amílcar Cabral ser mais, estudado lá fora de que nos próprios países para o qual lutou e empenhou a sua própria vida.

Lembrou ainda as acções realizadas em Portugal, na Itália, no Brasil e no Senegal pela Assembleia da República de Portugal, Universidade Assane Seck de Ziguinchor, que dedicaram os dias 19, 20 e 21 de Janeiro para destacar a contribuição extraordinária e o reconhecimento da estatura política e intelectual de Amílcar Cabral.

O deputado do PAICV defendeu, por outro lado, que Cabo Verde precisa redescobrir o valor do legado material e imaterial que herdamos de Amílcar Cabral e transformá-lo num recurso estratégico para a promoção e o desenvolvimento destas ilhas.

“Vem aí o centenário do seu nascimento. Aprendamos, pois, com o que foi feito agora, em todo o mundo, para envolvermos todas as instituições, o Parlamento, inclusive, na organização e na realização desse próximo evento de vulto. Abramos as nossas mentes para sermos dignos desse grande património que nos enriquece, que nos engrandece e que nos valoriza, enquanto país e enquanto Nação”, concluiu.

Por seu turno, o deputado do Movimento para a Democracia (MpD), partido que sustenta o poder, Luís Carlos Silva afirmou que 20 de Janeiro é um momento histórico de Cabo Verde, que no seu entender deve merecer todo o reconhecimento do país.

“Amílcar Cabral marcou de forma indelével a história deste país, mas também a história da África, junto com outros colegas eles implementaram a luta pela independência e conseguiram, eu diria sim que Amílcar Cabral pode ser considerado como pai da independência de Cabo Verde”, realçou, considerando que, independentemente das questões que motivaram o seu assassinato, a sua morte foi um “trágico momento” na história das ex-colónias portuguesas e do mundo.

Luís Carlos Silva considerou ainda que Amílcar Cabral merece ser uma figura transversal da sociedade cabo-verdiana e de toda a nação, tendo salientado que provavelmente o facto de o mesmo ser estudado mais no contexto internacional do que em Cabo Verde, deve-se a partidarização existente da sua figura feita “por uma certa força política no arquipélago da qual ele fazia parte durante o seu percurso de vida.

Por sua vez, o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, disse que o seu partido concorda que Amílcar Cabral é uma figura do vulto no contexto nacional, africano e mundial.

“Cabral teve um aspecto que nos deveremos nos orgulhar, ele pensou que a liberdade é um bem maior e a liberdade não é só sinonimo de afastamento de colonizadores, a liberdade é a assunção de cada um de nós daquilo que podemos fazer pelo nosso país, em conjugação com aquilo que o nosso país poderá nos dar”, declarou.

Segundo António Monteiro, as ideias e o pensamento de Amílcar Cabral a ser levado em linha de conta por todos os cabo-verdianos no geral e pelos governantes em particular dariam a Cabo Verde uma outra dimensão, pelo que defendeu a necessidade de uma reflexão e assunção na totalidade do pensamento do mesmo, visando garantia a prestação de melhores serviços e construção de um país.

Amílcar Cabral nasceu a 12 de Setembro de 1924 em Bafatá, Guiné-Bissau, filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora. Aos 12 anos de idade, deixa a então Guiné Portuguesa e junta-se ao pai que, nessa altura já havia regressado a Cabo Verde, e efectua os seus estudos primários na Rua Serpa Pinto, na Praia.

A 20 de Janeiro de 1973 foi assassinado em Conacri Amílcar Cabral, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que na altura travava uma luta armada contra o exército português.

CM/JMV
Inforpress/Fim.

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