PAICV nota ausência de sintonia entre primeiro-ministro e ministra das Infra-estruturas

Cidade da Praia, 18 Nov (Inforpress) – O deputado PAICV Armindo Freitas considerou hoje haver uma “dissintonia” entre a ministra das Infra-estruturas e o primeiro-ministro, uma vez que quando questionada sobre obras estruturantes anunciadas ela se refugia nas futuras negociações.

O porta-voz da bancada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) falava em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, para reagir às declarações da ministra Eunice Silva, no âmbito da sua audição parlamentar enquanto titular da pasta das Infra-estruturas, sobre o Orçamento do Estado de 2023.

A ministra, nas suas declarações na quinta-feira, 17, prometeu que o Governo vai priorizar, em 2023, no quadro do segundo pacote do Programa de Reabilitação Requalificação e Acessibilidades (PRRA), repescar as obras incluídas no programa, tendo em conta que não foram concluídas a 100%.

No entanto, o PAICV, manifestando o desagrado por estas obras não constarem do orçamento, mas anunciadas pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, afirmou que se está perante as “mesmas ladainhas” do ano passado, demonstrando “falta de verdade”.

“Este é o terceiro orçamento para o mandato de cinco de um Governo que vai no seu segundo mandato com sete anos de governação e não consegue pensar, estruturar, e construir uma única infraestrutura estruturante para o país”, disse.

O deputado do PAICV avaliou, neste sentido, o orçamento do ministério destinado às infraestruturas, em particular as portuárias, aeroportuárias e rodoviárias, como sendo vago, pois que anuncia milhões de escudos a serem alocados, mas não fala de obras estruturantes em concreto.

“Aliás, o orçamento nem fala de obras iniciadas e paralisadas, como é o caso da estrada Tomba Touro-Achada Leite-Charcos e Ribeira da Barca, em Santa Catarina”, precisou.

Segundo afirmou mais uma vez, as obras estruturantes que constituem compromisso para com os cabo-verdianos vêm se alastrando desde 2016 e não constam em nenhuma página do Orçamento do Estado para 2023.

“A ministra questionada, por exemplo, sobre a estrada Saltos-Pingo Chuva-Arribada e Habitação Social, anunciadas pelo primeiro-ministro, mas não inscritas no Orçamento do Estado, ela se refugia às negociações futuras com o Banco Mundial, ou seja, as mesmas ladainhas”, lamentou.

Na sua óptica, trata-se de mais um caso de estudo, uma vez que são obras do PRRA e que não têm financiamento, mas sujeitas a futuras negociações com o Banco Mundial.

“Se vai se negociar, obviamente como ela disse e bem, não deve constar do Orçamento, mas em outros casos, às vezes, a ministra anuncia sem estar inscrita. Portanto, há uma dissintonia entre o primeiro-ministro e a ministra das infraestruturas, ou seja, falta a verdade nesta matéria”, acusou.

Para este deputado, são obras importantes que “garantem emprego, têm retorno e criam riqueza”, e até este momento o Governo, liderado por Ulisses Correia e Silva, “não conseguiu pensar um projecto de raiz, uma obra estruturante, estruturar o projecto, mobilizar financiamento, construir e inaugurar”.

De entre as obras estruturantes, mencionou a construção do Aeroporto Internacional de Porto Médio de Santo Antão, a ampliação/modernização do aeroporto da Praia, a requalificação do Aeroporto Internacional Cesária Évora e a ampliação do aeroporto de São Nicolau.

ET/AA

Inforpress/Fim

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