PAICV diz que penúria de água na ilha de Santiago deve-se à “má gestão” dos recursos da AdS

Assomada, 09 Jun (Inforpress) – As comissões políticas do PAICV das Regiões de Santiago Norte e Sul afirmaram hoje que a penúria de água que se tem registado em toda a ilha deve-se à “má gestão” dos recursos da Águas de Santiago (AdS).

“As denúncias dos indícios de má gestão dos recursos à disposição da AdS e o que está a passar com a penúria de água com que a população enfrenta preocupam o PAICV de Norte a Sul de Santiago. Afinal, a penúria de água em Santiago tem uma forte relação com a má gestão dos recursos”, disse o porta-voz das duas comissões políticas regionais, António Fernandes.

António Fernandes falava hoje em Assomada numa conferência de imprensa conjunta das duas comissões regionais do PAICV para fazer um pronunciamento público sobre a polémica à volta da gestão da Empresa Pública Intermunicipal Águas de Santiago (AdS) e a situação da penúria da água na ilha de Santiago.

Segundo o também presidente da CRP do Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) Santiago Norte é “estranho” que perante o “grito” das comunidades face à penúria da água e as facturas da AdS, as câmaras municipais, a Associação dos Municípios de Santiago, a Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde e o próprio Governo mantiveram durante todo esse tempo “impávidos e serenos”.

“É inaceitável que, numa altura em que a ilha de Santiago é a menos favorecida em matéria de abastecimento de água (…) e que a população assiste uma qualidade deficiente de serviços prestados por uma empresa, as câmaras municipais a permanecerem num profundo silêncio”, criticou, responsabilizando os accionistas (nove municípios da ilha de Santiago) pela situação actual da empresa e pela penúria de água.

“A AdS vinha dando sinais de que não estava minimamente a prestar um serviço de qualidade à população da ilha de Santiago. Temos registos, todos os dias, da população a denunciar a falta de água nas torneiras, o aumento exorbitante do preço de água nas facturas, da população, o pagamento de serviços não prestados pela empresa”, lembrou António Fernandes.

Para o PAICV, os accionistas deveriam demitir o conselho de administração (CA), aquando de uma auditoria feita em Novembro de 2017 que, teria detectado um “rombo” de 40 mil contos, facto que se confirmou recentemente com uma transferência supostamente “ilegais e imorais” de “avultados valores” de 3 milhões e 240 mil escudos para as contas pessoais dos ex-administradores Vital Tavares e Floresvindo Barbosa.

O PAICV de Santiago Norte e Sul entende como “incompreensível” o facto de os accionistas manterem, por mais seis meses, um CA, cujo relatório da inspecção tinha demonstrado “várias situações passíveis de irregularidade”.

Perante tudo isso, António Fernandes afirmou que se assiste a “denúncias de irregularidades graves no acto da gestão e de prática de actos, cheirando a nepotismo e favorecimento ilícito”.

Relativamente à afirmação do presidente da assembleia-geral, o edil santa-catarinense, José Alves Fernandes, de que os accionistas foram apanhados de “surpresa” pelo acto praticados pelos dois ex-administradores, actos de gestão que considera grave, segundo ele foi uma forma encontrada para “desresponsabilizar” as câmaras municipais e ele próprio, como quem quer fugir com “o rabo da seringa”.

“Esperemos que a justiça funcione de forma célere para repor a legalidade em tudo”, enfatizou, aludindo ao processo-crime dado entrada no Ministério Público contra os dois administradores demissionários.

FM/CP

Inforpress/Fim

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