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PAICV diz que País tem registado “paulatina fragilidade” da capacidade externa

Cidade da Praia, 16 Mar (Inforpress) – O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) considerou hoje, num comunicado emitido sobre o caso Alex Saab, que, desde 2016, o País tem registado uma “paulatina fragilidade” da sua capacidade externa.

Em relação ao caso Saab, lê-se na nota assinada pelo secretário-geral do PAICV, Julião Varela, que a abordagem deste assunto “tão melindroso, quanto complexo”, deveria merecer da parte das autoridades nacionais uma atenção, de modo a não manchar a imagem do País e capital diplomático granjeado desde a Independência.

“Não é a primeira vez que Cabo Verde encara e gere dossiês internacionais que exigem alta articulação da sua diplomacia e da sua inteligência estratégica”, referiu a mesma fonte, completando que, desde 2016, tem se vindo a constatar uma “paulatina fragilidade” da capacidade externa do arquipélago.

Para o PAICV, os incidentes em torno da prisão de Alex Saab “tem exposto Cabo Verde como alvo de notícias internacionais e, infelizmente, com o teor que põe em causa a boa imagem e reputação do país construídas ao longo dos tempos”.

“Não se pode esconder que este caso está envolto em interesses que envolvem outros países, deixando Cabo Verde numa situação de “embaraço e dilema” perante qualquer desfecho do caso, cuja última palavra advém do Supremo Tribunal da Justiça”, lê-se.

Ainda na mesma nota, o PAICV diz que essa situação mostra que o Governo de Cabo Verde perdeu a capacidade de “gerir dossiês complexos e delicados” que o processo exige e que indicia desnorte da política externa em face da gravidade do dossiê.

“O comunicado do Governo, demarcando-se da notícia em que “funcionários ao serviço do Estado Cabo-verdiano” tivessem ido a Caracas negociar com o Presidente Nicolás Maduro, não só criou mais melindre ao caso, especialmente depois de destituir um gestor público por alegado envolvimento no caso, como provocou um desnecessário mal-estar nas relações de Cabo Verde com alguns dos seus parceiros, para além de alimentar notícias na imprensa nacional e internacional, pelas piores razões”, acrescenta.

No mesmo documento, aquele partido da oposição afirma que a CEDEAO “já se pronunciou por duas vezes” e que “o Governo, bem ao seu estilo, tem fingido de morto”.

“Mas a última decisão do Tribunal desta organização sub-regional, por ser clara e por envolver a Juíza cabo-verdiana como relatora e como subscritora do acórdão, exige um posicionamento claro do Executivo cabo-verdiano, designadamente, do senhor primeiro-ministro que deve vir a público dizer o que Cabo Verde pensa fazer”, lê-se.

O PAICV recorda ainda que Cabo Verde é um Estado de Direito Democrático e com responsabilidades internacionais, cuja credibilidade depende, em grande medida, do respeito pelas normas e pelos compromissos a que Cabo Verde está vinculado.

“É imperioso que o Governo da República explique, “tim por tim”, os contornos desse dossiê. Os discursos redondos e de circunstância, nestas horas, revelam-se insuficientes e inúteis. O povo precisa saber, de forma inequívoca, as razões e os contornos deste processo”, frisa.

Na parte final do comunicado, o PAICV escreve que o Governo pode até tentar “fintar a inteligência dos cabo-verdianos”, mas que “percebe-se, com nitidez, que o caso de Alex Saab encerra muitos actores e muitos vigilantes do

poder, pelo que a verdade há-de vir ao de cima”.

“O PAICV vai analisar atentamente o acórdão do Tribunal da CEDEAO para um oportuno pronunciamento”, promete.

O Governo da Venezuela exige a libertação de Alex Saab, garantindo que aquando da detenção possuía imunidade diplomática, pelo que Cabo Verde não podia ter permitido este processo.

Por ter ultrapassado o prazo legal de prisão preventiva, o empresário colombiano foi colocado em prisão domiciliária, também na ilha do Sal, no final de Janeiro, mas sob fortes medidas de segurança.

Neste processo, os EUA, que pedem a extradição do colombiano, acusam Alex Saab de ter branqueado 350 milhões de dólares (295 milhões de euros) para pagar actos de corrupção do Presidente venezuelano, através do sistema financeiro norte-americano.

GSF/JMV
Inforpress/Fim

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