PAICV diz que agricultura não faz parte da visão estratégica do MpD, enquanto este afirma o contrário

 

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – O PAICV (oposição) disse hoje que a agricultura não faz parte da “visão estratégica” do MpD (poder), enquanto este afirma que a nova agricultura de que falam os “tamborinas” se redundou num “fiasco em termos globais”.

As duas bancadas parlamentares fizeram estas declarações durante o debate sobre o sector do agro-negócio, agendado a pedido do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Segundo o deputado José Maria Veiga, que deu mote ao debate em nome do grupo parlamentar do PAICV, um eventual desinvestimento na agricultura representa um “grande retrocesso e um grande risco económico e social”.

Para o eleito nas listas do maior partido da oposição, não se pode deixar de investir no sector agrícola, quando se pretende um país “com menos pobreza, mais inclusão social, mais emprego, mais crescimento e bem-estar para todos”.

“O investimento na agricultura é uma questão de fundo, uma questão de sobrevivência e de manutenção da dignidade da população cabo-verdiana”, lançou o porta-voz do grupo parlamentar do PAICV, acrescentando ser “fundamental” que não haja “nem estagnação nem diminuição dos índices de investimento por trabalhador na agricultura”.

O deputado recuou no tempo e no espaço para lembrar que em 2001, quando o seu partido ganhou as eleições, a terra já não produzia mandioca, batata, abóbora e que “grandes extensões” de bananeiras tinham desaparecido, assim como milhares de coqueiros e que a tendência “era claramente para um país que ia morrendo ambientalmente aos poucos”.

Para reverter a situação, prossegue o parlamentar, o Governo do PAICV “incentivou a investigação aplicada, o combate às pragas, o controlo fitossanitário e a introdução de novas variedades mais adaptáveis e resistentes”.

Por sua vez, João Cabral, da bancada do Movimento para a Democracia, partido que suporta o Governo no Parlamento, deixou transparecer que os anos 90 foram “época de ouro da governação de Cabo Verde”, altura em que, segundo ele, “o MpD empreendeu importantes e corajosas medidas que, em pouco tempo, mudaram o rosto da agricultura” no arquipélago.

“Não obstante os caprichos e as agruras da natureza, não nos poupamos a esforços para introduzir em Cabo Verde um novo paradigma da agricultura”, precisou o eleito nas listas dos MpD, acrescentando que “não se tratou de falácias, mas sim de políticas públicas cujos resultados estavam a olho nu”.

Lembrou que foi na década de 90 que se registou “modernização real” na agricultura, cujos objectivos se alinhavam com os desejos e com as expectativas dos homens e das mulheres que a praticam.

Para João Cabral, foi na governação do seu partido que se introduziram “técnicas modernas de micro-irrigação (gota a gota) e 53 variedades hortícolas, bem como de pesticidas e de sementes adaptadas às condições climáticas de Cabo Verde e da sub-região onde o país está inserido.

“…Na década de 90, Cabo Verde chegou a exportar sementes não apenas para a França, mas também para outros países da África Ocidental”, indicou o porta-voz do grupo parlamentar do MpD.

Acusou o PAICV de, em 15 anos de governação, não ter introduzido uma variedade hortícola às 53 introduzidas de 1991 a 2000.

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição), com três deputados no Parlamento, fez uma única intervenção durante o debate sobre o agro-negócio, tendo chamado a atenção para a necessidade de um “maior apoio” aos agricultores.

“Os agricultores, para poderem produzir, têm que ter a satisfação de verem a sua economia a evoluir”, declarou o líder e deputado da UCID, para quem neste aspecto existe um “grande constrangimento” relacionado com os transportes.

No dizer de António Monteiro, os agricultores se deparam com dificuldades em colocar, por exemplo, os seus produtos nas ilhas da Boa Vista, Sal e São Vicente.

“E se não tivermos esta linha para que os produtos possam ser escoados e poderem, assim, dar continuidade ao desenvolvimento da economia desses cidadãos, dificilmente se sentirão incentivados para produzirem mais e desenvolver a nossa agricultura”, notou o eleito nas listas dos democratas-cristãos, apelando ao Governo no sentido de tomar algumas decisões em matérias dos transportes, sobretudo marítimos, inter-ilhas.

LC/CP

Inforpress/Fim

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