PAICV diz estranhar divulgação da taxa do desemprego e questiona se estagiários foram contemplados na estatística (c/áudio)

Cidade da Praia, 31 Dez (Inforpress) – O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) estranhou hoje a divulgação da taxa do desemprego “sem informações” sobre sectores e regiões onde terão sido gerados os empregos, questionando se estagiários foram contemplados na estatística.

“Para o PAICV, a questão do emprego é muito importante e, quando são gerados empregos dignos, resultados de medidas de política em sectores estratégicos, o PAICV aplaude e se congratula, pois, esses serão empregos estáveis, dignos e que garantem o desenvolvimento sustentável do País”, declarou o secretário-geral do PAICV, Julião Varela.

O responsável, que falava em conferência de imprensa, na cidade da Praia, para reagir à divulgação dos dados estatísticos do desemprego no País pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), na segunda-feira, 30, disse que as informações avançadas não permitem conhecer, de facto, a realidade, uma vez que são “muito limitados e claramente insuficientes”.

“Não há informações sobre em que sectores terá havido criação do emprego, não há nenhuma informação sobre a sua suposta distribuição pelas ilhas e/ou pelos municípios, não há informação sobre os sectores de actividade em que os empregos terão sido supostamente criados”, demonstrou.

Indicou, também, que não se sabe se os empregos foram gerados no sector público ou privado e nem há informações sobre o nível de escolaridade das pessoas que “supostamente passaram a estar empregadas”.

“O PAICV estranha a coincidência entre a publicação desses dados e a implementação massiva do Programa de Estágios Profissionais, pelo actual Governo, que ocupa os jovens com formação superior e profissional, por seis meses, sem qualquer garantia de emprego digno e estável, após o estágio”, observou.

Para o maior partido da oposição, o subemprego aumentou “drasticamente”, o que significa que milhares de trabalhadores “não estão a ser aproveitados”, provocando uma “precariedade laboral”.

De acordo com Julião Varela, “até que se prove o contrário”, são os estagiários que estão a aumentar o subemprego, uma vez que os estágios têm prazos e muitas vezes não há garantias de integração.

“O facto é que, caso se esteja a contemplar, nas estatísticas do emprego, estágios profissionais com a duração de seis meses, os dados estarão a distorcer a realidade sobre o emprego no país”, analisou.

Conforme mostrou, o INE adoptou uma nova periodicidade para divulgar os dados sobre o emprego, que passou a ser de seis meses, mas demorou cinco meses para fazer a apresentação, numa altura em que os deputados do Movimento para Democracia (MpD, poder) já tinham divulgado as informações indirectamente.

Sendo assim, o secretário-geral do PAICV considerou que o segredo estatístico foi quebrado, uma vez que a notícia foi veiculada por um deputado da maioria dois dias antes da publicação do INE.

O mesmo observou também que a ausência de “informações importantes” dificulta uma análise “séria, completa e correcta dos dados”. Neste sentido o PAICV enviou uma carta ao ministro das Finanças e INE solicitando mais informações.

Os dados sobre divulgados ontem indicam que a taxa de desemprego em Cabo Verde diminuiu de 12,2%, em 2018, para 10,7%, no primeiro semestre de 2019, representando uma redução de 1,4 pontos percentuais relativamente ao ano passado, enquanto de subemprego aumentou 7,0 pontos percentuais (p.p.).

Tendo em conta esses dados, o PAICV considerou que o Governo não consegue cumprir com os compromissos que assumiu com os cabo-verdianos.

WM/AA

Inforpress/Fim

 

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