Ordem dos médicos preocupado com a violação dos regulamentos referentes a ética e a deontologia (c/vídeo)

Cidade da Praia, 16 Jan (Inforpress) – O bastonário da Ordem dos Médicos Cabo-verdianos afirmou hoje que em Cabo Verde a maior preocupação da classe tem a ver com a violação dos regulamentos que se relacionam com a ética e a deontologia.

Danielson Veiga fez esta afirmação em entrevista à Inforpress, no âmbito da comemoração do Dia Nacional do Médico, que se assinala sexta-feira, 17, numa perspectiva de falar sobre os desafios da classe.

Conforme Danielson Veiga, tais actos pode deixar uma “imagem negativa” sobre a classe médica cabo-verdiana, que tem “feito milagres dentro do pouco que possui para trabalhar”.

Face a isso, explicou que a preocupação da Ordem durante o seu mandato é revisar os regulamentos e legislação que têm a ver com a classe médica, uma vez que, ajuntou, o maior desafio dos médicos “é promover a saúde dos utentes, prática da medicina no país, a coesão e a união da classe”.

“Os desafios passam ainda pela promoção do trabalho do médico e a valorização da competência do mérito do médico no país”, acrescentou.

Neste âmbito, Danielson Veiga afirma que os médicos cabo-verdianos durante a sua formação têm-se “destacado muito bem”, mas que ao chegar ao país, com todas as carências existentes, deparam com barreiras que não os deixam aplicar o que aprenderam.

“Não podemos ficar parados à espera de um futuro incerto, e é por isso que a Ordem é um veiculo para resolver a situação. Temos um estatuto e carreira médica, o código deontológico e o acto médico, documentos importantes para colmatar as lacunas”, acrescentou.

De acordo o responsável, a Assembleia-Geral a ser realizada na sexta-feira vai servir para que a classe debata alguns documentos, tentando com isso actualizar alguns e eliminar outros.

Apesar de realçar algumas constatações a nível de violações no que tange a deveres e direitos, o bastonário da OMC afirmou que o médico cabo-verdiano é no geral um “técnico respeitador, que dá o seu máximo para fazer um bom estudo e diagnóstico ao paciente”.

Apontou o diagnóstico como maior entrave no trabalho que o médico desempenha no país, visto que a maioria é feito fora do país e demora semana ou mais tempo a chegar ao doente.

“É frustrante depender de um diagnóstico que chega depois de 15 dias, precisamos fazer renovação e inovação na gestão do sector, tanto na parte pública como privada”, defende.

Quanto ao código deontológico médico, salientou que a Ordem tenta persuadir e informar as pessoas, alegando ainda que quando houver erros há que ser corrigido.

Quanto a algumas falhas apontadas para o cabal exercício da medicina nos hospitais público, o Bastonário da OMC admitiu que nenhum médico pode trabalhar nestas condições, mas admite que no hospital Dr. Agostinho Neto tem pautado por diálogo o que tem levado a bom porto as deficiências e falhas.

No entanto, admite que as chefias deveriam trabalhar na antecipação e não deixar que as coisas aconteçam a ponto de que não haver meios para trabalhar.

A Ordem dos Médicos é uma instituição pública que engloba a associação de licenciados em Medicina, fundada em 1998, com o objectivo de unir a classe, pelo que hoje a tarde resolveu homenagear 17 médicos já reformados na Cidade da Praia e 15 Mindelo.

Para assinalar a data está previsto a realização sexta-feira de uma Assembleia-geral para debater questões ligados ao regulamento.

A Ordem dos Médicos de Cabo Verde tem inscrito na sua associação cerca 650 médicos.

PC/JMV
Inforpress/Fim

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