Covid-19: Oportunidades de emprego para pessoas com deficiência foi maior barreira – António Melo

Cidade da Praia, 03 Dez (Inforpress) – O presidente da FECAD disse hoje que a falta de oportunidades de emprego para as pessoas com deficiência, na situação da pandemia, foi a maior barreira enfrentada visto que quem possuía uma forma de sustento perdeu-a.

O líder da Federação Cabo-verdiana das Associações de Pessoas com Deficiência (FECAD), António Melo, fez o alerta, em declarações à Inforpress, no âmbito da comemoração do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência que se assinala hoje, 03 de Dezembro.

“A situação é complicada mesmo. Vimos muitos perderem o seu rendimento com esta pandemia, particularmente, as que confeccionam produtos de pastelaria para vender e sustentar os seus familiares”, disse, lamentando o facto de a FECAD não possuir condições para ajudar como gostaria.

Isso porque, sustentou, todos têm a noção de que as pessoas mais pobres neste país são as pessoas com deficiência, que possuem imensas dificuldades a ponto de se porem a pedir esmolas nas ruas do plateau.

Neste particular, avançou que a FECAD está a fazer tudo para que seja atribuída uma pensão às pessoas com deficiência.

Neste sentido, indicou que está preparando um projecto de formação na área das artes para que pessoas com deficiência possam ter um rendimento com base no trabalho que desenvolvem, pois, na situação de covid-19, as associações de pessoas com deficiência passaram por muitas dificuldades para poderem ajudar os seus associados.

Pedro Melo criticou ainda as políticas públicas do Governo voltadas para as pessoas com deficiência, alegando que as leis do país, apesar de serem as melhores, ainda não satisfazem a este público-alvo.

“Se o Governo fizer uma política cumprindo a lei existente tudo seria diferente. Hoje, no país, é apenas o Ministério da Família e Inclusão Social quem faz alguma coisa. Já os ministérios da Educação, da Saúde e das Finanças e a Assembleia Nacional, que aprova o Orçamento do Estado, estão a falhar com programas e alocação de verbas voltadas para as pessoas com deficiência”, afirmou.

“O País pode cumprir com todos os dispositivos legais mas existe uma grande lacuna em termos de acção governativa”, disse.

Perante a situação, António Melo apelou ao Governo e à sociedade, em geral, a dar mais atenção à democracia existente no país, realçando, que esta só poderá ser efectivada se se derem todas as condições às minorias.

“Nós os deficientes somos minoria em Cabo Verde e enquanto não nos valorizarem, para sentirmos que a democracia chegou até nós, de nada vale avançar e falar de inclusão”, acrescentou num apelo ao Governo a trabalhar melhor.

Este ano, por motivos que ultrapassam a federação, esta não realizou nenhuma actividade para marcar a data.

No entanto para que a efeméride não passasse “em branco” a Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC) realiza hoje, na sua sede, em Achada São Filipe, uma palestra subordinada ao tema “medidas e políticas para o reforço dos direitos das pessoas com deficiência em Cabo Verde”.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência comemora-se anualmente a 03 de Dezembro e tem como objectivo motivar a sociedade para uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência, à mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar e para que se crie um mundo mais inclusivo e equitativo para as pessoas com deficiência, seja a nível físico como mental.

PC/HF

Inforpress/Fim

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