ONG socorro marítimo elogiadas em Itália e suspeitas ligação traficantes pessoas

 

Roma, 05 Mai (Inforpress) – O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, agradeceu na quinta-feira a todos os socorristas vindos em ajuda aos migrantes, ao largo da Líbia, em plena polémica sobre eventuais ligações entre traficantes e organizações não-governamentais de socorro marítimo.

“Agradeço aos voluntários, aos guardas costeiros e aos marinheiros que salvam vidas todos os dias. Nós, nós estamos orgulhosos”, declarou Gentiloni, durante uma reunião no parlamento, enquanto várias daquelas organizações denunciavam uma campanha de calúnias.

Ao mesmo tempo, 561 migrantes foram socorridos na quinta-feira, ao largo da Líbia, onde foi também encontrado o corpo sem vida de um adolescente, ferido de bala, num bote, anunciaram os guardas costeiros italianos e organizações não-governamentais (ONG).

Segundo a ONG maltesa Moas, citando testemunhos, os traficantes dispararam sobre o jovem para lhe roubarem um boné.

O debate sobre o papel, o financiamento e os objectivos da pequena dezena de navios humanitários privados que navegam ao largo da Líbia agita a Itália desde há 10 dias, alimentado designadamente por declarações controversas de um magistrado.

Segundo noticiaram na quinta-feira vários meios de comunicação, a procuradoria de Trapani, no oeste da Sicília, abriu em 2016 um inquérito por “ajuda à imigração ilegal” contra uma ONG não especificada, que os investigadores suspeitam, baseados em testemunhos de traficantes, de ter estado em contacto com os passadores de migrantes.

Não foi possível obter confirmação junto da procuradoria.

Muito menos discreto, o procurador da Catânia, no leste da Sicília, Carmelo Zuccaro, não abriu qualquer inquérito oficial, mas desmultiplica-se em declarações. Na quarta-feira, perante uma comissão parlamentar, repetiu as suas suspeitas de colusão e reivindicou meios para investigar.

Apoiado pela direita, pela Liga do Norte, um partido anti-União Europeia e anti-imigrantes, pelo populista Movimento 5 Estrelas e até pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Zuccaro solicitou que as conversas através de telefones satélites possam ser gravadas e que aviões da Marinha vigiem os barcos das ONG.

Perante a mesma comissão parlamentar, o procurador de Siracuse, também na Sicília, Francesco Paolo Giordano, assegurou, por seu lado, que entrevistou “centenas de pessoas” e nunca encontrou traços de ligação entre passadores e ONG.

O almirante Vincenzo Melone, responsável da guarda costeira italiana, que coordena o essencial das operações de socorro no Mediterrâneo, também testemunhou que as ONG trabalhavam em concerto com as autoridades navais italianas.

“O fenómeno dos migrantes vai ser de longa duração”, preveniu Gentiloni. “No longo prazo, vai ser preciso criar desenvolvimento e crescimento nos países de origem. No curto prazo, é necessário retirar o monopólio dos fluxos aos traficantes”.

No total, cerca de 550 mil migrantes chegaram às costas italianas entre 2013 e 2016, e 37 mil desde o início deste ano.

Lusa/Fim

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