ONG quer participação “mais activa” das comunidades na gestão do Parque Natural da Baía do Inferno e Monte Angra

Cidade Velha, 14 Mai (Inforpress) – A directora executiva da Organização Não-Governamental (ONG) Lantuna, Ana Veiga, defendeu hoje uma participação “mais activa” das comunidades, para uma “gestão efectiva” do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra.

Em declarações à imprensa à margem das comemorações do aniversário do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra, que aconteceram na localidade de Porto Mosquito, Ana Veiga defendeu que sem a participação das comunidades locais as ameaças sobre as espécies serão maiores e que os valores da sua designação como área protegida podem perder.

“Por isso, temos um forte empenho no trabalho de sensibilização e social para uma melhor gestão, mas cabe ao Governo definir qual é o melhor modo de gestão”, ressalvou aquela responsável, esclarecendo que toda a gestão do Parque é da responsabilidade do Governo.

Por outro lado, avançou que após a criação do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra, as respectivas comunidades têm ganhado, não só financeiramente, como também através do aprendizado sobre as áreas protegidas.

“Entretanto, um dos grandes desafios é uma gestão eficiente e continuar com as comunidades locais na gestão”, frisou Ana Veiga, considerando que a Associação tem ganhado reconhecimento a nível nacional e internacional.

“Temos estado a participar em conferências internacionais para apresentar resultados dos nossos trabalhos de investigação (…)  que são certificados pela Direcção Nacional do Ambiente e que também financiam grande parte dos nossos estudos”, esclareceu.

Em termos de trabalhos de investigação, Ana Veiga informou que após a definição desta área protegida, que conta com 83 por cento (%) de área marítima, constatou-se que existe uma grande variedade de espécies, como plantas e aves endémicas, golfinhos, baleias e tubarões.

O presidente da República, José Maria Neves, que presidiu ao acto das  comemorações, disse que há uma maior autoestima das comunidades de Porto Mosquito, Rincão e Entre Pico de Reda, com a criação dessa área protegida.

“Há muito mais fé nas potencialidades dessas regiões e há sobretudo uma outra confiança e esperança num futuro melhor, porque as pessoas estão a envolver-se, a superar as dificuldades e a criar nova dinâmica de desenvolvimento”, acrescentou, José Maria Neves, considerando que a Associação Lantuna tem feito, “a todos os títulos”, um trabalho “louvável”.

Para se engajar nesse processo, o Presidente da República prometeu trabalhar, junto com o Governo, com as autarquias locais, como os organismos financiadores e outras ONG, no sentido de trabalhar no empoderamento das comunidades e no desenvolvimento sustentável.

“As organizações ambientais têm uma enorme responsabilidade no desenvolvimento sustentável, inclusivo e ambiental, das nossas ilhas”, explicou o Chefe do Estado.

O Parque Natural da Baía do Inferno, que integra a Rede Nacional das Áreas Protegidas, é a primeira área marinha protegida mista (terrestre e marinha) da ilha de Santiago.

O decreto-regulamentar de 09 de Abril de 2021, aprova a criação do Parque Natural da Baía do Inferno e do Monte Angra (PNBIMA), na ilha de Santiago, conhecido por ter falésias de mais de 500 metros, passando a integrar a Rede Nacional das Áreas Protegidas.

Conhecido pelas zonas de difícil acesso, bem como fauna e flora únicas, o PNBIMA é criado e delimitado com uma área total de 21.096 hectares, sendo 3.626 hectares a parte terrestre e 17.470 hectares a parte marinha, situada a sul da aldeia piscatória de Porto Rincão, concelho de Santa Catarina, e a noroeste da aldeia piscatória de Porto Mosquito, concelho da Ribeira Grande de Santiago.

OM/ZS

Inforpress/Fim

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