ONG e instituições tencionam apresentar ao Governo propostas de áreas protegidas para a Brava (c/áudio)

Nova Sintra, 24 Fev (Inforpress) – Organizações não Governamentais e instituições ligadas à protecção e conservação do ambiente tencionam elaborar uma proposta e apresentá-la ao Governo para a criação de áreas protegidas na ilha Brava, decisão saída de um workshop realizado hoje com este propósito.

O workshop para a implementação de uma área protegida na Brava, realizado durante dois dias na ilha das Flores, foi organizado pela associação Biflores, no âmbito de um projeto financiado pela CEPF – Critical Ecosystem Partership Fund e enquadrado no projecto Global Environmenl Facility (GEF) ou Fundo Global para o Meio Ambiente, que financia o projecto de conservação da biodiversidade marinha e terrestre.

Em declarações à Inforpress, a directora da associação Biflores, Cristina Coletto, explicou que na quarta-feira foram apresentados estudos e resultados, assim como partilhado ideias e experiências entre os diversos participantes e oradores, onde vão elaborar uma proposta para áreas protegidas na ilha.

Segundo a mesma fonte, dos estudos realizados tanto pela Biflores como pelo ProjetoVitó, sempre têm indicado a área da bacia hidrográfica de Fajã d´Água como sendo “muito importante” para as espécies endémicas terrestes e também há a parte marinha que vai desde a baía de Sorno até Tantum.

Propostas estas que foram discutidas entre os presentes que também apoiaram estas sugestões, informando que no futuro serão realizados outros encontros para trabalhar numa proposta e submetê-la ao Governo a fim de se criar áreas protegidas na ilha Brava.

Wlodzimierz Szymaniak, um dos participantes em representação da Universidade Jean Piaget explicou que partilhou com o grupo as experiências na preparação do dossiê para a preparação do Parque Natural da Baía do Inferno e de Monte Angra, debruçando sobre as etapas de constituição, definição dos limites, “lobby” político, constrangimentos e elaboração do texto do decreto regulamentar, entre outros pontos.

A mesma fonte diz concordar com os organizadores sobre a localidade de Fajã d´Água, defendendo que esta merece ser estudada para que no futuro possa ser considerada como área protegida terrestre e marinha.

“Penso que a ilha possui muitas potencialidades turísticas, e em consequência, a natureza tem de ser protegida e valorizada”, finalizou.

Por seu turno, o director executivo da associação Projecto Vitó, Herculano Dinis, também participante deste encontro, realçou que a associação já trabalha nos Ilhéus Rombos e na ilha Brava há muito tempo e que durante este período percebeu-se que a Brava possui recursos naturais que justifiquem a criação de áreas protegidas na ilha.

Daí, acentuou que esse processo está a ser organizado e envolve vários parceiros, instituições e delegações não e governamentais e, com todas as informações que estão a ser recolhidas e tratadas, é “fundamental” dar um passo no sentido de criar áreas protegidas na Brava.

Dinis reforçou que as áreas protegidas são “catalisadores de desenvolvimento”, pois, para além de garantir a protecção dos recursos naturais, também promovem o desenvolvimento a nível local, exemplificando com o caso do Parque Natural do Fogo, do Parque Natural de Monte Gordo, áreas protegidas de Serra Malagueta e Pico d´Antónia que “promoveram o desenvolvimento das comunidades e com impacto directo no desenvolvimento das ilhas”.

“As áreas protegidas são fundamentais porque permitem a Brava aceder outras categorias de selos internacionais, como reserva da Biosfera, Geoparque ou outras categorias que só é possível tendo áreas protegidas no seu território”, apontou, relembrando que a Brava, neste momento é a única ilha que “não possui nenhuma categoria de áreas protegidas no seu território”, não falando dos Ilhéus Rombos.

Neste workshop, participaram além da associação Biflores a anfitriã do evento, o Projeto Vitó, a Universidade de Barcelona, o Projecto Raízes+, o Ministério da Agricultura e Ambiente, a Câmara Municipal da Brava e a Universidade Jean Piaget.

O dia de hoje foi dedicado a visita às zonas marinhas e mergulho nas baías de Sorno, Fajã d´Água e Tantum.



MC/ZS

Inforpress/Fim

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