OMS vem avaliar pedido de certificado da eliminação do paludismo em Cabo Verde

Cidade da Praia, 24 Mai (Inforpress) – Uma equipa independente internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) virá a Cabo Verde, em Junho, para “avaliar e comprovar” o pedido de Cabo Verde que reivindica o certificado da eliminação do paludismo no território.

Passados quatro anos sem quaisquer casos locais detectados no País, o coordenador da Rede Colaborativa Regional da África Ocidental para a Tomada de Decisões Baseadas em Evidências na Eliminação da Malária (WADE), Adilson Pina, que revelou esta informação à imprensa, explicou que caberá à OMS tomar a decisão mediante o resultado da avaliação em certificar o País como livre do paludismo.

Segundo Adilson Pina, o País está num processo muito interessante em relação ao paludismo, argumentando que, no quadro do processo definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS)), passados três anos sem a existência de casos locais, qualquer país pode pedir a certificação da eliminação.

“Em Cabo Verde desde 2018 que nós não temos tido casos locais de paludismo. Temos tido casos importados, portanto neste momento Cabo Verde já elaborou um relatório global, já foi apresentado à OMS e em Junho vamos ter uma primeira avaliação de uma equipa independente internacional que virá comprovar que de facto não temos casos”, referiu Adilson Pina.

Eliminar o paludismo não significa só não ter casos locais, clarificou Adilson Pina, acrescentando que o País não pode baixar os braços, de forma a manter o “desafio enorme de manter zero casos”.

Daí afiançou que todo o trabalho tem de ser feito a nível da vigilância, do reforço do conhecimento e das competências no investimento de recursos humanos e equipamentos para que o País esteja, efectivamente, livre do paludismo, quando se sabe que o arquipélago está inserido numa região onde países como a Libéria, a RD Congo, o Moçambique e a Angola afiguram-se como “top 10” do paludismo a nível mundial.

“Seis países da nossa região contribuem para 50% (por cento) de casos de paludismo a nível mundial e Cabo Verde tem conexões com estes países”, especificou Adilson Pina para quem agora há que trabalhar para, a nível das fronteiras, das comunidades e das estruturas de Saúde, para evitar a reintrodução de casos que vem de fora, de forma a detectar tratá-los e segui-los.

Desde 2021, referiu, Cabo Verde tem vindo a beneficiar-se de formações ministradas pela WADE, após propostas positivamente aprovadas, pelo que vários webinars on-line realizados, culminando com o workshop internacional, presencial da rede da África Ocidental para a Tomada de Decisão no contexto da eliminação a decorrer de 24 a 26 do corrente mês de Maio, na Cidade da Praia.

A ideia, sublinhou Pina, passa por criar estas parcerias para que, futuramente, “projectos mais robustos” possam candidatar-se a projectos internacionais, com vista a reforçar a investigação em Cabo Verde.

A WADE é um conjunto de redes do Global Challenges Research Fund (GCRF) para troca de conhecimentos e experiências dentro da região e promoção de futuras colaborações entre instituições e países e, em Cabo Verde conta com a parceria e intensa colaboração da Direcção Nacional da Saúde através do Programa de prevenção e controlo de doenças transmitidas por mosquitos vectores e das Delegacias de Saúde.

Este workshop internacional resulta da colaboração internacional entre o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e da “The London School of Hygiene and Tropical Medicine”, LSHTMme conta ainda com a presença de investigadores do Senegal, Burquina Faso, Benin e Cabo Verde.

Além do workshop, haverá uma sessão de capacitação sobre “O papel da análise espacial na eliminação do paludismo”, para os técnicos de saúde e estudantes universitários.

SR/HF

Inforpress/Fim

 

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