Ocorrência imprevisível de poeira no oceano poderá reduzir humidade comprometendo-se estação das chuvas – INMG (c/áudio)

Espargos, 21 Jun (Inforpress) – Os serviços de Meteorologia e Geofísica, no Sal, acautelaram hoje que a situação de “imprevisível” poeira no oceano, poderá reduzir a humidade do ar, comprometendo-se, assim, a previsão de boa estação das chuvas, prenunciadas para este ano.

Segundo os entendidos da matéria, a humidade do ar é um elemento atmosférico que exerce influências sobre as temperaturas, as chuvas, a sensação térmica, a quantidade de água existente no ar na forma de vapor.

Hoje, ao explicar este fenómeno natural, em conferência de imprensa para partilhar a previsão climática sazonal para Cabo Verde 2022, a administradora do INMG, Ester Brito, chamou a atenção pelo facto de as chuvas em Cabo Verde não serem contínuas, porém em regime de aguaceiros, podendo ocorrer, entretanto, fortes precipitações durante essa estação.

Não podendo indicar os meses em que poderá haver maior frequência de precipitação no País, a mesma fonte garantiu que as perspectivas “apresentam-se boas” para a estação.

Apesar do prognóstico, Ester Brito lembrou, entretanto, que há dois anos havia uma previsão de boa estação, mas registou-se naquela ocasião a entrada de “grande quantidade” de poeira no oceano que reduziu completamente a humidade, atalhando a queda da chuva.

“Além de mudar totalmente a configuração dos sistemas, reduziu a humidade, e praticamente não houve chuva. Temos essa previsão sim, mas temos de estar ciente que pode acontecer esse tipo de eventos, imprevisível, infelizmente”, preveniu.

Questionada sobre a razão desse fenómeno, Ester Brito comenta que face à situação de seca prolongada no Sahel, se houver algum sistema que permita ao levantamento de poeira nessa zona, e se essa circulação se instalar, poderá atingir Cabo Verde, havendo com a ausência das chuvas, conforme explicou, maior probabilidade desses fenómenos.

Atendendo a todos esses pressupostos, a mesma fonte nota que contar com um bom ano agrícola ou não vai depender do regime de precipitação.

“Poderemos ter uma chuva mansa, contínua, que ajuda muito no crescimento e desenvolvimento das plantações, ou uma chuva torrencial que vai ajudar mais para acumulação da água, e também ajudar, possivelmente, na agricultura. De qualquer forma, tendo alguma precipitação já é uma grande ajuda para os agricultores”, considerou.

“Estamos perante previsões, mas temos de ter esperança, porque há grande probabilidade de termos chuva, embora a média não ultrapasse os 200 milímetros (mm). Vamos ser optimistas e esperar que nesse ano tenhamos uma melhor estação de chuva que os anos anteriores”, rematou.

SC/JMV
Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos