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Obra “Chiquinho” é um romance de emigração por excelência da literatura cabo-verdiana – tradutor

Cidade da Praia, 17 Nov (Inforpress) – O professor universitário Carlos Almeida considerou hoje que a obra “Chiquinho”, de Baltasar Lopes, é um romance de emigração por excelência da literatura cabo-verdiana, que foca no seu próprio povo e região para o libertar do esquecimento colonial.

A constatação foi feita, esta manhã, na Cidade da Praia, durante a apresentação da tradução do clássico romance cabo-verdiano, traduzido pela primeira vez em língua inglesa, um trabalho do cabo-verdiano Carlos Almeida, e da portuguesa Isabel Rodrigues, ambos académicos nos Estados Unidos da América (EUA).

Intitulado “Chiquinho – a novel of Cabo Verde”, o professor explicou que a sua tradução era tão importante, porque retrata a parte da história da emigração cabo-verdiana para os Estados Unidos da América.

“Para mim, esta obra é tão importante que precisava há muito de ser traduzida. Quando emigrei para os Estados Unidos da América, na universidade onde estudamos (…), iniciamos um projecto de tradução de alguns insertes de vários livros da literatura cabo-verdiana e Chiquinho foi um desses livros”, apontou.

Por outro lado, considerou que a obra é muito importante também para os descendentes de cabo-verdianos que não sabem ler o português e que a partir de agora podem ter acesso ao livro em língua inglesa.

Explicou que o processo foi “um pouco longo, complicado e difícil”, porque tiveram de pedir autorização aos herdeiros de Baltasar Lopes da Silva.

“Por acaso sou amigo do filho do Baltasar Lopes e da mãe dele, a dona Teresa que nos autorizou através dos autores portugueses que têm direito autorais de Baltasar Lopes”, apontou Carlos Almeida, adiantando que foi um “trabalho árduo” de cerca de quatro anos.

A tradução da obra contou com a participação e envolvimento de várias pessoas, quer directa ou indiretamente.

A obra foi traduzida pela editora Tagus Press da Universidade de Massachusetts Dartmouth, EUA.

“Chiquinho” é um clássico da literatura cabo-verdiana, já teve várias edições em Cabo Verde e Portugal, e o lançamento da versão em inglês acontece precisamente 62 anos depois da primeira edição desse clássico da literatura cabo-verdiana.

Baltasar Lopes da Silva é “incontornável” na literatura, cultura e educação de Cabo Verde. Escritor, poeta, linguista e ensaísta, foi um homem da escrita que revolucionou a sua época com o seu multifacetado talento.

Baltasar Lopes da Silva nasceu na aldeia do Caleijão na ilha de São Nicolau, a 23 de Abril de 1907, tendo concluído os seus estudos secundários no seminário de São Nicolau, viajou para Portugal para estudar na Universidade de Lisboa.

AV/DR

Inforpress/Fim

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