Óbito/São Vicente: Pintora Luísa Queirós vai a enterrar esta sexta-feira no Mindelo

 

Mindelo, 22 Jun (Inforpress) – A artista plástica Luísa Queirós, falecida ao princípio da tarde de hoje no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, vítima de doença prolongada e depois de hospitalização que durou duas semanas, vai a enterrar nesta sexta-feira a partir das 16:00.

O corpo de Luísa Queirós estará em câmara ardente no salão fúnebre da Agência Funerária Freitas e Fortes, à rua do Coco, a partir do meio-dia de sexta-feira, e o funeral parte dali às 16:00 para o cemitério da cidade.

Natural de Lisboa, onde nasceu em 1941, e esposa do também artista plástico cabo-verdiano Manuel Figueira, Luísa Queirós e o marido residiam no Mindelo desde 1975.

Em 1964 concluiu o Curso de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa como estudante bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entre 1964 e 1977 leccionou Educação Visual em Lisboa e S. Vicente, sendo que em 1976 participou na criação da Cooperativa Resistência, no Mindelo, onde iniciou a sua actividade como tecelã.

Em 1978 participou na criação do Centro Nacional de Artesanato, onde leccionou tecelagem, tapeçaria e batik.

Desde os anos 1970 tem-se distinguido como criadora de marionetes, ilustradora de livros, revistas e capas de discos.

Em 1992 criou a Galeria ” Azul+Azul=Verde” com Bela Duarte.

Luísa queirós realizou, desde 1970, perto de dezena e meia de exposições individuais e participou em mais de vinte exposições colectivas, em Cabo-Verde, Portugal, América Latina e Europa, estando a sua obra representada em várias colecções públicas e privadas.

A Assembleia Geral da Associação Mindelact galardoou a artista plástica com o Prémio de Mérito Teatral 2006.

As razões desta atribuição prendem-se com o seu trabalho na componente da ilustração de cartazes, programas e logótipos teatrais.

O encenador João Branco considera “um choque imenso” a notícia da morte da “comadre” e cofundadora da Associação Artística e Cultural Mindelact Luísa Queirós, dona de um “papel fundamental na contemporaneidade das artes plásticas cabo-verdianas”, uma “artista com intervenções nos mais variados domínios”.

Para o velho companheiro de Luísa Queirós nas lides teatrais, a obra da artista “merece ser estudada, cuidada”, de modo a perceber a “importância que ela teve nas artes plásticas de Cabo Verde”.

João Branco, que os jornalistas foram encontrar na ALAIM, Academia Livre de Artes Internacional do Mindelo, enviou “condolências ao Manel (Figueira) e ao Sérgio (marido e filho, respectivamente, de Luísa Queirós), prometendo propor à direcção do Mindelact a dedicação à memória da artista a edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo 2017 à memória da artista.

O director do Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD), Irlando Ferreira, disse terem ele e a sua equipa de trabalho, sido “apanhados de surpresa” pela notícia da morte de Luísa Queirós.

É uma “imensa tristeza”, sublinhou o responsável, considerando ter sido a artista, mais Manuel Figueira e Bela Duarte, três dos pilares sobre que se assentou o antigo Centro Nacional de Artesanato, ainda na década de 1970.

À hora em que Irlando Ferreira prestou estas declarações estava a ser montada no CNAD uma exposição de pintura da artista plástica luso-descendente Petra von Preta (Sara Fonseca da Graça) intitulada “Por uma natureza das coisas” em homenagem à Luísa Queirós, mas na altura o responsável não pôde indicar se ela seria inaugurada hoje ou não, como inicialmente previsto.

Também o tecelão e pintor João Fortes, antigo aluno de Luísa Queirós no CNA, ficou “muito triste” com a morte da professora, com quem aprendeu “muito” do que sabe hoje, recordando-a igualmente como boa contadora de anedotas.

“Estou muito triste com a morte dela”, concluiu João Fortes, ainda hoje um dos “inquilinos” do agora Centro Nacional de Artesanato e Design.

AT/FP

Inforpress/Fim

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
[wd_asp elements='search' ratio='100%' id=2]
    • Categorias

  • Galeria de Fotos