Óbito: Titina Rodrigues “ajudou a construir os contornos da grandeza da morna” – ministro da Cultura

Mindelo, 06 Mai (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, assegurou hoje que a cantora Titina Rodrigues, falecida na madrugada de hoje, em Lisboa, “ajudou a construir os contornos da grandeza da morna”.

O governante, que falou hoje à imprensa na ilha Brava, onde está de visita, disse ter recebido a notícia com “consternação e tristeza” por ser Titina Rodrigues uma das caras da morna de Cabo Verde.

Abraão Vicente, considerou, que, sem dúvida, quem acompanhou a carreira de cantora, inclusive no tempo em que a rádio tinha mais presença que a televisão, viu que a cantora “ajudou a construir os contornos da grandeza da morna”.

A morna, segundo a mesma fonte, é antiga, mas, quem a consolidou e a tornou património da humanidade foi a geração dos anos 60 aos anos 90 e a diáspora, onde Titina Rodrigues se enquadrou, incorporando a saudade.

“Titina é muito mais que uma personagem da morna, da música e da cultura cabo-verdiana, é uma das caras da identidade crioula como diáspora”, sublinhou o ministro, para quem a perda é uma “notícia má e triste” para Cabo Verde.

Abraão Vicente regozijou-se por a cantora ter recebido “todas as homenagens e condecorações em vida”, mas, ainda assim, é um “momento de luto nacional”.

Titina Rodrigues faleceu hoje de madrugada, aos 75 anos, em Lisboa, vítima de doença prolongada.

A cantora natural de São Vicente e cujo verdadeiro nome era Albertina Alice dos Santos Rodrigues Oliveira de Almeida, tinha agora 75 anos, mas, desde cedo começou a cantar e considerava que Deus lhe deu uma oportunidade e uma felicidade de poder cantar e aprender com B. Léza, “um dos maiores compositores do género da morna no País”.

Titina Rodrigues fez estas declarações à Inforpress por ocasião da sua passagem pela Cidade da Praia, em 2018, onde foi homenageada pela Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA), pelo contributo que deu à música cabo-verdiana.

A “menininha de B. Léza”, como era tratada carinhosamente pelo compositor, recorda que aos seis anos de idade frequentava a casa do B. Léza para aprender a ler, mas aos poucos ganhou paixão pela música, tendo feito a sua primeira actuação em público aos 12 anos.

Em finais da década de 1970, gravou um EP com acompanhamento do grupo Voz de Cabo Verde e arranjos de Paulino Vieira. E, cerca de uma década depois, saiu o EP “Titina Canta B.Léza”, em que a cantora interpretava unicamente músicas deste compositor. Este álbum foi reeditado em LP e depois mais duas vezes em CD.

A cantora participou ainda nos discos “Cabo Verde canta a CPLP”, “Músicas de Intervenção Cabo-verdiana e Lisboa nos Cantares Cabo-verdianos”, projectos temáticos de Alberto Rui Machado que, em 2008, produziu o CD que Titina lançou com o título “Destino Cruel”.

Em 1991, a cantora fez uma participação na série televisiva “Por Mares nunca dantes navegados”, do realizador Carlos Avilez para a RTP. Participou ainda no programa “A língua viva” (2001) da RTP, dirigido aos PALOP com o objectivo de ensinar a língua portuguesa.

No teatro, em 1996, participou em “O Último baile do Império” uma produção da companhia portuguesa A Barraca, com encenação de Maria do Céu Guerra, a parte de texto do brasileiro Josué Montello.

LN/HF

Inforpress/Fim

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