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Óbito/Onésimo Silveira: Um último adeus entre o povo, rosas brancas e muitas palmas

*** Por Américo Antunes, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 30 Abr (Inforpress) – Os mindelenses despediram-se ao longo da tarde de hoje de Onésimo Silveira, e mesmo em plena pandemia foram às dezenas, num último adeus entre o povo, com rosas brancas e palmas, muitas palmas ao longo do cortejo fúnebre.

Desde às 10:00, o corpo do primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente foi mantido em câmara ardente no Salão Nobre dos Paços do Concelho e, a partir daí, começava o adeus dos mindelenses, que terminou minutos depois das 18:00, quando o corpo foi dado à terra no Cemitério de São Vicente.

Logo após a cerimónia oficial, às 16:00, o povo que aguardava no exterior da Câmara Municipal de São Vicente ofereceu a Onésimo Silveira a primeira chuva de palmas, quando a urna que transportava o corpo foi vista à saída do edifício, onde dois militares faziam a guarda de honra, perante as bandeiras da República e do município a meia haste. 

Há muitos curiosos, e silêncio e também lágrimas quando a banda lança os primeiros acordes da morna “Sodade de Nho Roque”, de Manuel de Novas, tema que acompanha o cortejo fúnebre, que segue em direcção à Rua de Lisboa, e depois Avenida Baltazar Lopes da Silva e Avenida 5 de Julho, antes da primeira paragem, na Universidade do Mindelo.

Aqui, em palavras de ocasião, o reitor Albertino Graça, reitera a amizade recíproca que o unia à Silveira, um momento também para um rijo “obrigado Onésimo” e a segunda chuva de palmas da tarde. Há uma voz de um homem do meio do povo, que deixa escapar um sonoro “Ah Cuxim!!!” [alcunha de Onésimo Silveira], como a simbolizar a perda.

O cortejo segue pela Avenida de 5 de Julho, mas a próxima paragem é a Rua de Praia, que tanto Onésimo Silveira crivou nos seus livros e poesias, mas desta vez o pretexto é o futebol: uma breve paragem à frente da sede do Clube Sportivo Mindelense, a terceira chuva de palmas da tarde, clube do seu pai, Jom d’Dóia, tido como um dos melhores futebolistas do seu tempo, e de que o filho Onésimo era adepto.

Agora, para além da bandeira do Município, o caixão segue tapado com a bandeira do popular clube do Mindelo, passa pela Praça Estrela, o número de curiosos aumenta, não há lágrimas, mas há “sentimento no coração”, nas palavras de uma idosa, que respondia a uma jovem que a provocara, questionando-a porque trazia “os olhos secos”.

Devido à pandemia, o acesso ao interior do cemitério é agora limitado e, se calhar por isso, a quarta chuva de palmas da tarde de despedia dos mindelenses a Onésimo Silveira ocorre à porta do cemitério, quando o caixão é levado para o interior.

“Deus te dê um descanso em paz”, lança um homem que fica à porta do cemitério e que vê o caixão a ser transportado até à rua 69 da parte antiga do Cemitério de São Vicente, onde foi sepultado o corpo de Onésimo Silveira, que Germano Almeida classificou hoje de “um homem livre, de Cabo Verde e do mundo, que deve servir de exemplo a todos”.

Onésimo Silveira faleceu na manhã de quinta-feira, 29, aos 86 anos, no Mindelo, sua cidade natal, vítima de doença prolongada.

Nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciência Política, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Em 1977, transitou para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) com o estatuto de diplomata, ali permanecendo até Dezembro de 1990, com passagens por países como Somália, Angola e Moçambique.

Em 1992, tornou-se o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente, cargo em que permaneceu até 2001.

Em 2002, suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Nacional e aceitou a nomeação para embaixador extraordinário e plenipotenciário de Cabo Verde em Portugal, Israel, Espanha e Marrocos.

A nível cultural, é considerado um dos mais proeminentes membros da elite literária cabo-verdiana, tendo muitos trabalhos publicados no campo da literatura.

Fundou o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (ex-PAIGC) e nos últimos anos tornou-se uma das vozes mais activas pela regionalização do país.

Em 08 de Dezembro de 2012 foi distinguido com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo pelo “imenso contributo para a democratização” do País e pelo seu papel na “internacionalização do municipalismo cabo-verdiano”.

AA/CP

Inforpress/Fim

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