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Óbito/Onésimo Silveira: Reacções de personalidades e instituições invadem as redes sociais

Mindelo, 29 Abr (Inforpress) – O falecimento hoje do ex-presidente de câmara de São Vicente, Onésimo Silveira, que foi também embaixador do País em Portugal, despoletou reacções de pesar e de consternação nas redes sociais de inúmeras intuições públicas e de figuras públicas.

Para o ex-primeiro-ministro José Maria Neves “nasce mais uma estrela na constelação de deuses e um homem, que são muitos”.

“Poeta, cientista político, académico, ensaísta, autarca, diplomata e cidadão do mundo. Inteligente, libertário, humanista, emotivo – regressou comigo a São Tomé e Príncipe, para chorar, de novo, diante da pobreza em que ainda vivem os contratados – e patriota”, escreveu José Maria Neves, realçando que Onésimo Silveira “sempre esteve do lado dos mais pobres e dos excluídos, dos desafortunados e deserdados”.

Para o ex-primeiro-ministro, ele foi um “homem que amou desmedidamente a sua ilha natal, São Vicente, e amou, à sua maneira, com abundante liberdade de espírito, Cabo Verde”. 

“Homens plurais desta dimensão não morrem. Assumem definitivamente a sua condição de estrelas e iluminam os caminhos daqueles que ainda percorrem os labirintos da existência humana, aqui na terra” registou José Maria Neves.

O ex-ministro, Mário Matos, por seu lado, disse que a morte de Onésimo Silveira “deixou um vazio”, mas defendeu que “São Vicente, em particular, e a Nação, em geral, saberão homenagear esse filho distinto”.

“O desaparecimento de uma personalidade nacional, controversa que foi, que lutou com determinação, inteligência e a sedução dos grandes políticos, pela dignidade e desenvolvimento da sua estimada ilha de São Vicente, mas, também, por um Cabo Verde livre e democrático”, lê-se na publicação de Mário Matos, para quem “essa voz que incomodou e desassossegou, pereniza-se na obra e no coração dos seus companheiros de jornada e dos que o estimam”

A escritora Vera Duarte, por sua vez, afirmou que “Cabo Verde perde mais uma figura de referência”

Para o ex-presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima “O País perdeu um   homem da hora grande, o poeta, o político e homem de estado, o amigo”.

“Foi-se o Homem. Ficou felizmente a obra. Sentidas condolências à sua Família e São  Vicente, sua terra Natal, onde foi eleito como primeiro Presidente da Câmara em eleições competitivas e democráticas”, escreveu.

O ex-ministro da coordenação económica e também ex-primeiro-ministro, Gualberto do Rosário, disse que São Vicente e Cabo Verde estão de luto.

“São Vicente e Cabo Verde acabam de perder um dos seus grandes filhos. Eu perdi um grande amigo Onésimo Silveira, inteligente, digno, vertical, intelectual, livre. Cabo-verdiano de todos os costados. Que o Bom Deus te envolva na sua perpétua Luz”, escreveu.

Por sua vez, o deputado nacional José Maria Veiga considerou Onésimo Silveira “um ilustre filho destas ilhas afortunadas”.

Para o ex-presidente de Câmara Municipal e São Vicente, José Faria, que substituiu Onésimo Silveira na autarquia, trata-se de um “defensor intransigente dos interesses de Cabo Verde”, enquanto o presidente da Câmara Municipal da Praia considerou Silveira “um pensador e um cidadão do mundo”, pelo que a sua morte é “uma grande perda para todos”.

O vice-presidente da UCID, João Luís, também destacou Onésimo Silveira como “grande político e presidente de câmara”.

Onésimo Silveira, 86 anos, encontrava-se acamado há já alguns meses, segundo familiares, e a notícia do seu falecimento chegou célere à reunião da Assembleia Municipal de São Vicente, que decorria na manhã de hoje, na Academia Jotamont, tendo o órgão municipal cancelado de imediato a sessão extraordinária. 

Nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Em 1977, transitou para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) com o estatuto de diplomata, ali permanecendo até Dezembro de 1990, com passagens por países como Somália, Angola e Moçambique.

Em 1992, tornou-se o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente, cargo em que permaneceu até 2001.

Em 2002, suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Nacional e aceitou a nomeação para embaixador extraordinário e plenipotenciário de Cabo Verde em Portugal, Israel, Espanha e Marrocos.

A nível cultural, é considerado um dos mais proeminentes membros da elite literária cabo-verdiana, tendo muitos trabalhos publicados no campo da literatura (novela, poesia e romance) e do ensaio (política, sociologia e antropologia).

Onésimo Silveira também traduziu vários livros, entre os quais “Obras Completas de Mao Tsé Tung”, em parceria com Gentil Viana, e colabora regularmente, com artigos de opinião, no jornal A Semana e em revistas de Cabo Verde, Portugal, França, Suécia e Noruega.

Fundou o Partido do Trabalho e Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (ex-PAIGC) e nos últimos anos tornou-se uma das vozes mais activas pela regionalização do país.

Em 08 de Dezembro de 2012 foi distinguido com o doutoramento Honoris Causa pela universidade do Mindelo pelo “imenso contributo para a democratização” do País e pelo seu papel na “internacionalização do municipalismo cabo-verdiano”.

CD/AA

Inforpress/Fim

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