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Óbito/Onésimo Silveira: Presidente da República diz tratar-se de “grande perda” de uma personalidade cabo-verdiana “marcante”

Cidade da Praia, 29 Abr (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, afirmou hoje que foi com sentimento de “grande perda” que recebeu a notícia do falecimento de Onésimo Silveira, considerando-o uma “personalidade cabo-verdiana que foi marcante” em vários domínios.

“Foi com sentimento de grande perda que recebemos a notícia do falecimento do doutor Onésimo Silveira, uma grande figura de Cabo Verde, uma personalidade cabo-verdiana que foi marcante em vários domínios”, afirmou, acrescentando que foi também uma personalidade multifacetada, tendo participado nos “grandes momentos” da história de Cabo Verde, nomeadamente na luta pela independência nacional e pela democratização do regime em Cabo Verde.

Para Jorge Carlos Fonseca, Onésimo Silveira foi um defensor da descentralização, da autonomia de poder local, mas também “uma figura de proa, como intelectual, como poeta”, sobretudo, “referenciado como uma espécie de encarnação, de humor e identidade com a ilha de São Vicente”.

“Como Presidente de Cabo Verde, lamento imenso o seu desaparecimento físico, envio condolências em nome da Nação cabo-verdiana a todos os familiares, amigos e companheiros de Onésimo Silveira, e curvo-me à memória da sua grandeza, como homem da política, intelectual, homem da poesia e autarca”, declarou Jorge Carlos Fonseca.

Onésimo Silveira, 86 anos, encontrava-se acamado há já alguns meses, segundo familiares. Nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Em 1977, transitou para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) com o estatuto de diplomata, ali permanecendo até Dezembro de 1990, com passagens por países como Somália, Angola e Moçambique.

Em 1992, tornou-se o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente, cargo em que permaneceu até 2001.

Em 2002, suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Nacional e aceitou a nomeação para embaixador extraordinário e plenipotenciário de Cabo Verde em Portugal, Israel, Espanha e Marrocos.

A nível cultural, é considerado um dos mais proeminentes membros da elite literária cabo-verdiana, tendo muitos trabalhos publicados no campo da literatura.

Fundou o Partido do Trabalho e Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (ex-PAIGC) e nos últimos anos tornou-se uma das vozes mais activas pela regionalização do país.

Em 08 de Dezembro de 2012 foi distinguido com o doutoramento Honoris Causa pela universidade do Mindelo pelo “imenso contributo para a democratização” do País e pelo seu papel na “internacionalização do municipalismo cabo-verdiano”.

DR/ AA

Inforpress/Fim

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