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Óbito/Onésimo Silveira: “Perdemos uma das figuras ímpares da história contemporânea de Cabo Verde” – José Vicente Lopes

Mindelo, 29 Abr (Inforpress) – O “biógrafo acidental” de Onésimo Silveira, José Vicente Lopes, autor do livro “Onésimo Silveira – Uma Vida, Um Mar de histórias”, acredita que se perdeu uma das “figuras ímpares” da história contemporânea de Cabo Verde.

José Vicente Lopes considerou a morte de Silveira “uma perda” para Cabo Verde, em geral, e para São Vicente, em particular, que era a ilha que ele estava “muito ligado” e que “tanto pugnou para engrandecer e para aquilo que ele chegou a chamar de renascimento de São Vicente”.

Desta forma, como sendo seu “biógrafo acidental” e que com ele escreveu o livro “Onésimo Silveira – Uma vida, um mar de histórias”, que retrata as memórias do político através do modelo de entrevista, acredita que Onésimo Silveira “teve uma vida singular dos vários momentos e das várias experiências que foi acumulando”.

“Poucos cabo-verdianos podem apresentar o palmarés que ele tinha e mostra como é que um cabo-verdiano `globetrotter´ foi circulando em vários lugares e várias culturas e para na idade da razão, idade adulta, voltar a Cabo Verde e colocar toda a experiência que ele acumulou ao serviço da sua ilha e do País”, sublinhou à Inforpress.

Sendo assim, segundo a mesma fonte, foi-se, inegavelmente, uma “figura ímpar da história contemporânea cabo-verdiana e um elemento incontornável deste percurso”

José Vicente Lopes assegurou que basta lembrar o último cargo público que Silveira ocupou, como embaixador de Cabo Verde em Portugal, em que deixou uma “memória bastante forte, quer da perspectiva das autoridades portuguesas, quer das comunidades cabo-verdianas naquele país”.

“Isto serve, de certa forma, para ilustrar as características muito particulares, que Onésimo conseguia ostentar”, considerou o jornalista e escritor, admitindo que, sem dúvida, isto está “explícito” no livro que conta o percurso deste homem com “um mar de histórias”.

Agora, José Vicente Lopes disse esperar que São Vicente saiba “honrar” este “grande sanvicentino e grande cabo-verdiano”.

O jornalista e escritor ressaltou, por outro lado, o facto de Onésimo Silveira ter “lançado a semente da regionalização e que ainda está a germinar” e que se apresenta como um “pendente” para Cabo Verde e que “precisa ser resolvido um dia”.

“Um país com as características de Cabo Verde, mais tarde ou mais cedo, terá que resolver os problemas que se colocam, sobretudo, a nível da assimetria do seu desenvolvimento, que pode ser resolvida pela via da descentralização ou da regionalização. O Onésimo defendia que a solução passava pela regionalização, resta saber até que ponto esta será a solução que se coloca ao País”, rematou.

Onésimo Silveira, que faleceu hoje aos 86 anos no Mindelo, encontrava-se acamado há já alguns meses, segundo familiares. Nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Em 1977, transitou para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) com o estatuto de diplomata, ali permanecendo até Dezembro de 1990, com passagens por países como Somália, Angola e Moçambique.
Em 1992, tornou-se o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente, cargo em que permaneceu até 2001.

Em 2002, suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Nacional e aceitou a nomeação para embaixador extraordinário e plenipotenciário de Cabo Verde em Portugal, Israel, Espanha e Marrocos.

A nível cultural, é considerado um dos mais proeminentes membros da elite literária cabo-verdiana, tendo muitos trabalhos publicados no campo da literatura.

Fundou o Partido do Trabalho e Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (ex-PAIGC) e nos últimos anos tornou-se uma das vozes mais activas pela regionalização do país.

Em 08 de Dezembro de 2012 foi distinguido com o doutoramento Honoris Causa pela universidade do Mindelo pelo “imenso contributo para a democratização” do País e pelo seu papel na “internacionalização do municipalismo cabo-verdiano”.

LN/JMVV
Inforpress/Fim

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